Base aérea militar em chamas na região russa de Lipetsk devido a ataque ucraniano (com vídeo)

Base aérea militar em chamas na região russa de Lipetsk devido a ataque ucraniano (com vídeo)

O governador da região confirmou tratar-se de um ataque maciço longe dos edifícios civis que causou pelo menos seis feridos.
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Um ataque com drones ucranianos provocou na madrugada desta sexta-feira um incêndio numa base militar na região russa de Lipetsk, a 300 quilómetros da fronteira com a Ucrânia, disse o governador regional, Igor Artamonov.

"A detonação de objetos explosivos ocorreu longe de edifícios civis. Todos os serviços de emergência estão no local", escreveu Artamonov na plataforma de mensagens Telegram.

Horas antes, o Ministério da Gestão de Emergências regional tinha indicado estar em curso "um incêndio num aeródromo militar na região de Lipetsk".

Mas inicialmente as autoridades locais, citadas pelas agências de notícias oficiais russas Tass e Ria Novosti, não especificaram se o incêndio se tinha devido a um ataque ucraniano.

Artamonov disse que Lipetsk foi "alvo de um ataque maciço de drones", que causou pelo menos seis feridos.

O governador acrescentou que o ataque ucraniano danificou uma central elétrica.

"A infraestrutura energética foi danificada", levando a cortes de energia, acrescentou Artamonov, especificando que o fornecimento de eletricidade foi posteriormente restaurado na maioria das zonas afetadas.

O governador declarou o estado de emergência no município de Lipetsk e ordenou a evacuação de cinco aldeias vizinhas "para garantir a segurança dos residentes", uma medida que afeta 416 famílias.

Artamonov pediu ainda aos residentes de Lipetsk que ficassem em casa até ser levantado o alerta.

Outro ataque de drones ucranianos foi relatado na região de Belgorod, perto da fronteira com a Ucrânia.

De acordo com o governador regional Vyacheslav Gladkov, as defesas aéreas russas abateram 29 drones e o ataque causou danos materiais, mas não fez feridos.

Também na cidade de Sebastopol, na península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, o governador Mikhail Razvojaïev anunciou ataques de drones aéreos e marítimos.

A região de Kursk, vizinha do município de Lipetsk e que faz fronteira com a Ucrânia, enfrenta desde terça-feira uma incursão armada ucraniana.

Mais de mil soldados ucranianos e dezenas de veículos blindados estão envolvidos no ataque, lançado de surpresa, avançou o Estado-Maior russo, que disse estar a fazer tudo para os repelir.

O analista militar Oleksandr Kovalenko disse à agência de notícias EFE na quinta-feira que as forças atacantes conseguiram controlar 400 quilómetros quadrados de território russo.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou, de acordo com os mais recentes dados da ONU, a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia -- foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

Cerca de 20 mil ucranianos retirados de região fronteiriça com a Rússia

A polícia ucraniana pediu esta sexta-feira a retirada de "cerca de 20 mil" pessoas da região de Sumy, situada no norte da Ucrânia e que faz fronteira com a região russa de Kursk, alvo de uma incursão das forças de Kiev.

No plataforma Telegram, a polícia especificou que estas operações são necessárias em 28 localidades devido ao "fogo inimigo" nestas áreas, garantindo que os serviços de emergência e os serviços locais participaram nas operações.

O Exército Russo teve que mobilizar quinta-feira grande parte da artilharia pesada e aviação para expulsar as tropas ucranianas que entraram no território há quatro dias, mostrando fragilidades defensivas na fronteira face a uma operação que tem recebido apoio do Ocidente.

Esta é a primeira vez que soldados ucranianos entram em território russo desde o início da invasão da Ucrânia, movimentos sobre os quais as autoridades de Kiev não quiseram, até agora, dar muitos detalhes.

"Cabe ao Exército dizer o que aí se passa", disse quinta-feira Mikhailo Podoliak, conselheiro do chefe do Gabinete Presidencial ucraniano, em declarações à televisão, naquele que foi o primeiro comentário sobre o assunto por parte de um representante do Governo.

Podoliak destacou a crescente eficiência das "operações militares da Ucrânia na zona de hostilidades" e explicou que isto poderia influenciar a posição da Rússia em relação a possíveis negociações.

"Hoje temos uma guerra que está gradualmente a mover-se para o interior da Federação Russa. Será que isso os assustará? Sim. Eles reagem a outra coisa senão ao medo? Não", disse Podoliak.

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