A terceira ronda de negociações entre a Ucrânia e a Rússia começa nesta terça-feira, 17 de fevereiro, e prossegue na quarta, em Genebra, com a parte russa a anunciar que o seu objetivo são os ganhos territoriais, enquanto Kiev aparenta resistir à pressão norte-americana e exige garantias de segurança. Em pano de fundo, o país sob invasão foi alvo, em janeiro, do maior número de mísseis balísticos desde o início da guerra. No terreno, a Ucrânia recuperou nos últimos dias o controlo do equivalente a duas vezes o território do município de Lisboa. .Rússia ataca várias regiões com mísseis antes do início de negociações. As concessões territoriais da Ucrânia à Rússia são o “tema principal” para Moscovo nas negociações de paz que deverão decorrer até quarta-feira, mais uma vez sob a égide dos Estados Unidos, mas agora na Suíça. “Desta vez, a ideia é discutir um leque mais amplo de questões, incluindo, de facto, as principais. As questões principais dizem respeito tanto aos territórios como a tudo aquilo que envolve as exigências que formulámos”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. .Moscovo não muda uma linha sobre as suas exigências, apenas o chefe da delegação, que volta a ser Vladimir Medinsky, o assessor de Putin e ideólogo do Kremlin..Há a registar uma mudança substantiva na delegação russa. Tal como em 2022 e no ano passado, esta é liderada por Vladimir Medinsky, assessor de Vladimir Putin, e diplomata com obra publicada sobre a História do seu país. “A caminho, juntos com os colegas, discutiremos as lições da nossa história e procuraremos as conclusões certas”, disse nas redes sociais o chefe da delegação ucraniana Kyrylo Budanov, numa aparente alfinetada ao ideólogo do Kremlin. . As expectativas da parte ucraniana são baixas. Volodymyr Zelensky disse que na ronda negocial anterior, em Abu Dhabi, a delegação russa liderada pelo chefe dos serviços secretos militares (GRU), Igor Kostyukov, mostrou-se mais construtiva do que as reuniões com Medinsky. Até agora, não houve qualquer aproximação entre as partes, à exceção do princípio da troca de prisioneiros acordado nos Emirados.A Rússia exige a retirada total da Ucrânia do Donbass, e congelar as restantes linhas da frente tal como se encontram. Também quer discutir o controlo da central nuclear de Zaporíjia, ocupada desde 2022, e o papel de tropas ocidentais no pós-guerra. Já Kiev pretende um cessar-fogo nas infraestruturas energéticas e garantias de segurança sólidas por parte dos EUA e dos europeus. A questão, para Zelensky, não é saber quando a Rússia voltará a invadir, mas “o que acontecerá” nesse cenário. A Ucrânia foi alvo de 91 mísseis balísticos em janeiro, o maior número registado até agora. Mas nos últimos dias, privados das antenas Starlink, os russos perderam 201 km2 de território ocupado na região de Zaporíjia — o maior ganho ucraniano desde a contraofensiva de 2023 — segundo um cálculo da AFP.