Autarca de Nova Iorque lança estratégia contra o antissemitismo após críticas à sua postura pró-Palestina
O presidente da Câmara de Nova Iorque lançou esta terça-feira, 29 de setembro, aquela que descreveu como a primeira "estratégia municipal para combater o antissemitismo" nos Estados Unidos, após ter sido criticado pela comunidade judaica por assumir uma postura pró-Palestina e ter feito denúncias contra o Governo israelita.
Zohran Mamdani, o primeiro autarca muçulmano da cidade, publicou um relatório de 35 páginas que detalha a estratégia, liderada pelo Gabinete do Presidente da Câmara para o Combate ao Antissemitismo, uma agência que sofreu um aumento de investimento no combate aos crimes de ódio de três para 29 milhões de euros.
O presidente da Câmara atribuiu 7,4 milhões de dólares (6,5 milhões de euros) para esta estratégia, essencialmente subsídios a organizações comunitárias como o Conselho de Relações da Comunidade Judaica (JCRC) e também melhoramentos a nível de segurança nas sinagogas e outros locais de culto, informa a agência EFE.
Tanto no anúncio como no relatório não foi mencionada a guerra entre Israel e o Hamas.
Na semana passada, na Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apelidou Mamdani de "antissemita", tendo criticado o autarca nova-iorquino por pedir o cumprimento de um mandado de detenção internacional contra ele devido a crimes de guerra.
"As mentiras que o senhor e outros antissemitas espalham sobre os judeus e o Estado de Israel têm consequências reais. Em Nova Iorque, os judeus são ameaçados a caminho da sinagoga", afirmou Netanyahu.
O autarca, que é democrata, reconhecera em julho que a cidade não tinha autoridade para efetuar a detenção do primeiro-ministro israelita, uma vez que esse poder pertencia às forças federais, controladas pelo governo do republicano Donald Trump, aliado de Netanyahu.
Em resposta, um grupo de rabinos de Nova Iorque pediu a Mamdani para ser mais cauteloso nas suas declarações públicas devido ao impacto que poderiam ter no sentimento antissemita na cidade, que alberga a maior comunidade judaica fora de Israel.
De acordo com o relatório publicado esta terça-feira, os judeus representam 12% da população nova-iorquina, "mas são vítimas de quase metade de todos os crimes de ódio reportados".
Phylisa Wisdom, diretora executiva do Gabinete do Presidente da Câmara para o Combate ao Antissemitismo, afirmou que a estratégia "utiliza todo o poder do governo local no esforço para prevenir o ódio, apoiar as vítimas, proteger as instituições judaicas, educar os nova-iorquinos e celebrar a vida judaica".

