Ator e humorista de maior sucesso comercial no Brasil morre aos 42 anos

Paulo Gustavo, internado desde 13 de março, tornou-se um dos 411.854 brasileiros vítimas da doença. Caetano Veloso foi um dos muitos artistas que lamentaram a morte: "o povo deve revoltar-se contra os responsáveis por nossa vulnerabilidade frente à pandemia".

Paulo Gustavo, o mais bem-sucedido ator e humorista brasileiro, morreu na terça-feira, aos 42 anos, por complicações devido à covid-19, após ter ficado internado durante semanas, informaram familiares.

No domingo passado, o comediante, internado desde 13 de março, acordou e interagiu com o marido mas sofreu uma embolia pulmonar em seguida e, já na madrugada de quarta-feira em Portugal, acabou por morrer. A morte de Paulo Gustavo, uma das 411.854 vítimas de covid-19 no Brasil, aconteceu no mesmo dia em que o Senado Federal iniciou a audição de testemunhas numa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a responsabilidade do governo na tragédia.

Com uma trajetória de sucesso no teatro, na televisão e no cinema do Brasil, Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros começou a ganhar visibilidade, aos 26 anos, em 2004, ao participar no elenco da peça "Surto", na qual interpretou, pela primeira vez, a famosa personagem "Dona Hermínia", que se tornou num marco na carreira e foi inspirada na mãe do ator.

Dois anos depois, deu-se a estreia nos palcos de "Minha mãe é uma peça", um êxito no teatro e adaptada ao cinema em 2013.

Os três filmes de "Minha mãe é uma peça" venderam, no total, mais de 26 milhões de bilhetes no cinema entre 2013 e 2020. A sequela "Minha mãe é uma peça 3" tornou-se no maior êxito de bilheteira da história do cinema brasileiro, ao arrecadar 143,9 milhões de reais (21,9 milhões de euros).

A personagem principal, Dina Hermínia, que se caracterizava por dizer tudo em que estava a pensar, era inspirada na mãe do ator.

Nascido em Niteroi, na área metropolitana do Rio de Janeiro, Paulo Gustavo destacou-se ainda nos filmes "Minha Vida em Marte" (2018) e "Os Homens São de Marte... e é para lá que eu vou" (2014).

Povo brasileiro deve "revoltar-se contra os responsáveis" pela gestão da pandemia, diz Caetano Veloso

Artistas brasileiros lamentaram a morte do ator, como o músico Caetano Veloso que, numa mensagem na rede social Instagram, referiu a abertura da CPI sobre a covid-19 no Senado brasileiro.

"Paulo Gustavo é a expressão da alegria brasileira (...) É significativo que a notícia de que o perdemos chegue no dia em que se abre a CPI da covid no Senado Nacional", escreveu.

"O povo brasileiro, que encheu os cinemas para rir com Paulo Gustavo, está de luto. E deve revoltar-se contra os responsáveis por nossa vulnerabilidade frente à pandemia que nos tirou essa pessoa amada por representar nossa vocação para o sim", concluiu Caetano Veloso.

Também a cantora Daniela Mercury usou as redes sociais para destacar a luta de Paulo Gustavo "pelos direitos humanos" e salientar o "ser humano e artista maravilhoso".

"O mundo perde um gênio do humor", escreveu Fábio Porchat, do coletivo de humor Porta dos Fundos, que estudou teatro na mesma sala que Paulo Gustavo.

Mônica Martelli, amiga de longa data de Paulo Gustavo e co-protagonista de "Minha Vida em Marte" e "Os Homens São de Marte... e é para lá que eu vou" (2014), disse "meu irmão, eu te amo e pra sempre vou te amar. Você foi muito bravo e agora pode descansar. Vamos lembrar de você sempre assim. Sorrindo, criando, fazendo o Brasil gargalhar".

"Te amo pra sempre irmão! 'Tá doendo muito é inacreditável é devastador é injusto! Só penso que você cumpriu sua missão aqui na Terra transformando a vida de muita gente, foi um génio do humor da generosidade da humanidade", escreveu a cantora Preta Gil, filha de Gilberto Gil.

Humorista também de muito sucesso, Marcelo Adnet declarou-se revoltado: "Venho neste momento tão difícil para todos nós dividir com vocês a minha dor, a nossa dor. Estou chocado, estou triste, estou com raiva também, por esse momento que nosso país atravessa, mas principalmente incrédulo. Incrédulo da gente perder esse cara tão jovem, tão talentoso, tão único, tão raro, tão importante para a cultura, para o humor. Tão importante para o cinema brasileiro. Um cara tão apaixonante, tão apaixonado"

Paulo Gustavo deixou dois filhos menores que teve, num processo de barriga de aluguer, com o marido, o médico Thales Bretas.

Essa faceta da sua vida pessoal levou um pastor evangélico a desejar a morte do ator. "Esse é o ator Paulo Gustavo que alguns estão pedindo oração e reza. E você vai orar ou rezar? Eu oro para que o dono dele o leve para junto de si", escreveu no dia 15 de abril na rede social Instagram o pastor evangélico José Olímpio, da Assembleia de Deus de Alagoas. A ilustrar a publicação do religioso, apoiante de Bolsonaro, uma imagem de Paulo Gustavo dentro de uma igreja num dos seus filmes.

Jair Bolsonaro, entretanto, também dedicou mensagem ao ator. "Meus votos de pesar pelo passamento do ator e diretor Paulo Gustavo, que com seu talento e carisma conquistou o carinho de todo Brasil. Que Deus o receba com alegria e conforte o coração de seus familiares e amigos, bem como de todos aqueles vitimados nessa luta contra a covid."

Além dos 411 854 mortos, o Brasil soma 14 856 888 de casos da covid-19, desde o início da pandemia.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3 214 644 mortos no mundo, resultantes de mais de 153,4 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG