Após Trump pedir a demissão de Jimmy Kimmel, regulador de telecomunicações ordena revisão de licenças da ABC
Jimmy Kimmel / Instagram

Após Trump pedir a demissão de Jimmy Kimmel, regulador de telecomunicações ordena revisão de licenças da ABC

Embora não seja apresentada justificação, pedido surge após polémica entre o casal Trump e Jimmy Kimmel, tendo sido pedida a saída do apresentador da ABC por piada qualificada de "apelo à violência".
Publicado a
Atualizado a

O regulador americano das telecomunicações, a FCC, ordenou esta terça-feira, 28 de abril, ao grupo Disney que apresente um pedido de renovação de licença para as estações locais da sua cadeia ABC, antecipando-se em vários anos ao calendário previsto.

Este pedido surge num contexto de polémica entre o casal Trump e Jimmy Kimmel, tendo o casal presidencial pedido a saída deste apresentador da ABC por uma piada qualificada de "apelo à violência".

A FCC não justifica a sua decisão no aviso administrativo. E, contactada pela agência de notícias francesa AFP, não respondeu ao pedido de comentário até agora.  

Contactada também pela AFP, a Disney indicou ter recebido o pedido da FCC e disse estar "confiante" de que os seus "históricos de serviços" demonstrassem que tem "as qualificações para estas licenças".  

Estas licenças deveriam inicialmente expirar entre 2028 e 2031 no âmbito do processo ordinário, implicando um pedido de renovação.  

O presidente norte-americano, Donald Trump, exigiu na última segunda-feira que a estação ABC despedisse imediatamente o apresentador Jimmy Kimmel, acusando-o de fazer um "vil convite à violência" com uma piada dirigida à primeira-dama, Melania Trump.

"Isto foi longe demais. Jimmy Kimmel deve ser despedido imediatamente pela Disney e pela ABC", escreveu o republicano, criticando os comentários feitos pelo humorista, que, no seu programa da semana passada, descreveu a primeira-dama como "radiante como uma futura viúva".

Também Melania Trump instou a ABC a tomar medidas após os comentários feitos pelo apresentador Jimmy Kimmel durante o seu monólogo de quinta-feira, no qual fez referência ao Jantar dos Correspondentes da Casa Branca e que considera "retórica odiosa e violenta".

Numa mensagem na rede social X, a primeira-dama indicou que a estação deveria intervir em relação a este tipo de conteúdos.

O apresentador fez uma paródia ao Jantar dos Correspondentes da Casa Branca no seu programa, "Jimmy Kimmel Live!", dois dias antes do evento, como se fosse o comediante escolhido para entreter os convidados, que incluíam o presidente Donald Trump, Melania e altos funcionários do gabinete pela primeira vez.

O presidente, a primeira-dama e outras autoridades tiveram de ser retirados no sábado à noite, depois de um homem armado ter ultrapassado a barreira de segurança do hotel em Washington onde se realizava o evento e começado a disparar tiros em direção à porta onde decorria o jantar.

Entre as piadas, Kimmel fez alusão à primeira-dama com uma comparação irónica e ironizou o presidente em relação a uma imagem gerada por inteligência artificial que tinha partilhado nas redes sociais e posteriormente apagado após receber críticas.

Na sua declaração, Melania Trump afirmou que o conteúdo do programa "não é comédia" e acusou o humorista de contribuir para "aprofundar a divisão política nos Estados Unidos".

Afirmou ainda que figuras como Kimmel "não deveriam ter acesso aos lares americanos todas as noites para disseminar mensagens de ódio".

Melania Trump chamou cobarde a Kimmel, acrescentando que este "se esconde atrás da ABC porque sabe que a estação vai continuar a protegê-lo".

"Quantas vezes mais a administração da ABC vai permitir o comportamento deplorável de Kimmel à custa da nossa comunidade?", questionou.

Após Trump pedir a demissão de Jimmy Kimmel, regulador de telecomunicações ordena revisão de licenças da ABC
Melania Trump critica Jimmy Kimmel após piada sobre “viúva expectante”

Grande estrela dos programas noturnos, os famosos "late night shows", Jimmy Kimmel provocou a ira da direita norte-americana em setembro passado, que o acusou de explorar politicamente o assassinato do influenciador pró-Trump Charlie Kirk.

Propriedade da Disney, a ABC suspendeu então o apresentador.

Esta suspensão tinha sido sugerida publicamente pelo presidente da FCC, Brendan Carr, nomeado por Donald Trump, e em março ameaçou retirar licenças a certos canais por "distorcer" a informação e por "promover teorias falsas".

Para evitar esse desfecho, chamou-os a "corrigir o rumo", considerando que "o grande público [tinha] perdido confiança nos meios de comunicação" tradicionais.

No entanto, face às críticas e às acusações de censura, a emissora trouxe de volta o apresentador uma semana após a sua demissão.

No seu programa desta segunda-feira, Kimmel não pediu desculpa e disse que a "piada muito agradável" era uma alusão à diferença de idades entre os cônjuges presidenciais e ao rosto frequentemente severo da primeira-dama, mas não um apelo à violência.

Após Trump pedir a demissão de Jimmy Kimmel, regulador de telecomunicações ordena revisão de licenças da ABC
Jimmy Kimmel reage a pedidos de demissão feitos por Melania e Donald Trump
Diário de Notícias
www.dn.pt