Um palestiniano e os filhos vivem no meio da destruição em Rafah.
Um palestiniano e os filhos vivem no meio da destruição em Rafah.EPA/HAITHAM IMAD

À beira dos 100 dias de guerra, há acordo para entregar medicamentos aos reféns

Famílias pedem para data ser assinalada amanhã com “greve”. Bombardeamentos israelitas prosseguem no enclave palestiniano, cortando comunicações e internet.
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O Governo israelita anun- ciou ontem ter chegado a um acordo com o Qatar para abrir a porta à entrega de medicamentos aos mais de 100 reféns que ainda estão nas mãos do Hamas em Gaza. O acordo foi alcançado à beira de se assinalarem os 100 dias de guerra e de bombardeamentos no enclave palestiniano, apesar dos apelos a um cessar-fogo.

Segundo o comunicado do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, os medicamentos deverão ser entregues aos reféns “nos próximos dias”. As famílias exigem provas visuais de que estes serão entregues, lembrando que, após tantos dias nos túneis do Hamas, todos “enfrentam perigo mortal imediato e precisam de medicamentos que salvam vidas. Mas, além dos medicamentos, os reféns também necessitam de tratamento médico extensivo.”

Israel estima em cerca de 140 o número de reféns ainda nas mãos do Hamas, depois de uma pausa humanitária de sete dias no final de dezembro ter permitido a libertação de uma centena. Nem todos estão vivos, calculando-se que 25 tenham morrido logo a 7 de outubro (os corpos de militares israelitas já foram usados no passado como moeda de troca) ou desde então. O grupo terrorista palestiniano alega que houve alguns que morreram nos bombardeamentos israelitas.

No domingo, assinalam-se 100 dias do ataque do Hamas, que fez 1200 mortos segundo o Governo israelita, e dos raptos. As famílias dos reféns pedem para as empresas e os funcionários fazerem greve de solidariedade, parando de trabalhar por volta das 12.00 horas locais durante 100 minutos.

Israel respondeu ao ataque terrorista bombardeando Gaza, após declarar guerra ao Hamas - que controla o território desde 2007. Os bombardeamentos, aos quais se juntou a invasão terrestre a 27 de outubro, já causaram a morte a mais de 23 mil palestinianos, segundo os dados do Governo de Gaza, controlado pelo Hamas, tendo mais de um milhão de pessoas fugido para sul.

O Alto-Comissariado para os Direitos Humanos da ONU reiterou ontem o apelo a um cessar-fogo imediato. “Um cessar-fogo para pôr fim ao sofrimento terrível e à perda de vidas e para permitir a entrega rápida e eficaz de ajuda humanitária a uma população que enfrenta níveis chocantes de fome e doenças”, disse Liz Throssell, porta-voz do alto-comissário Volker Türk, insistindo nas “falhas repetidas” de Israel em cumprir os princípios fundamentais do direito humanitário.

As autoridades israelitas têm ignorado esses apelos. As Forças de Defesa de Israel dizem ter destruído, desde o início da guerra, mais de 700 lançadores de rockets  do Hamas, alegando que muitos foram encontrados em edifícios civis, incluindo escolas e mesquitas. Ontem, o enclave estava sem comunicações e internet por causa de um bombardeamento.

susana.f.salvador@dn.pt

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