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TAPGerardo Santos

Air France-KLM e Lufthansa entregaram propostas melhoradas para privatização da TAP

Processo de privatização da companhia portuguesa entra na reta final. Melhorias nas propostas vão ser analisadas pela Parpública
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A Air France-KLM e da Lufthansa entregaram propostas vinculativas melhoradas para a compra de 44,9% do capital da TAP esta quarta-feira, 30 de setembro, divulgou a Parpública.

A Parpública, gestora das participações do Estado, vai agora elaborar um relatório descritivo das melhorias apresentadas pelas duas candidatas, "determinando o seu mérito final absoluto, remetendo o mesmo aos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e do transporte aéreo", diz em comunicado.

A Lufthansa veio, entretanto, confirmar a apresentação da oferta atualizada e melhorada no âmbito do processo de privatização da TAP. Em comunicado, o grupo alemão afirma que a proposta "reforça ainda mais o nosso compromisso de longo prazo com a TAP e com Portugal".

A proposta "reflete a nossa convicção de que, com base no nosso historial comprovado de desenvolvimento bem-sucedido de companhias aéreas de rede, o Grupo Lufthansa é o melhor parceiro para apoiar o crescimento futuro da TAP, reforçar a sua competitividade e continuar a desenvolver o seu papel enquanto companhia aérea de bandeira de Portugal", afirma ainda.

Também a Air France-KLM, em comunicado, reiterou o seu "forte e continuado interesse na TAP Air Portugal ao apresentar a sua proposta final para uma participação de até 49,9% na companhia aérea". Citado na nota enviada aos media, o CEO Benjamin Smith refere que "o que apresentamos hoje é um plano estratégico ambicioso a longo prazo, que acreditamos posicionar melhor a TAP para o futuro e salvaguardar a conectividade e a soberania de Portugal".

"A minha convicção pessoal e o nosso princípio orientador permanecem inalterados: se a Air France-KLM for escolhida, a TAP e Portugal sairão a ganhar no mercado global da aviação", acrescenta, sublinhando que "a nossa proposta foi concebida em torno de uma transportadora de bandeira portuguesa mais forte, com Lisboa como o hub exclusivo do Grupo Air France-KLM no Sul da Europa com maior conectividade, e uma clara intenção de criar emprego e valor em todo o país.”

O processo de privatização da TAP prevê a venda de até 49,9% do capital da companhia aérea portuguesa, dos quais 5% estão reservados aos trabalhadores, podendo a parcela não subscrita ser adquirida pelo investidor selecionado, ao abrigo de um direito de preferência.

A 1 de setembro, a Parpública entregou para análise do Governo o relatório sobre as duas ofertas vinculativas.

Segundo já adiantou o ministro da Presidência, Leitão Amaro, as propostas são "globalmente tão próximas que o melhor para o interesse nacional é ter uma fase adicional, final, da negociação com ambos" os candidatos.

O governante admitiu que o preço "é naturalmente um critério importante, mas não é o único", uma vez que o caderno de encargos da privatização determina uma avaliação global das ofertas, em termos de rotas e do projeto industrial, entre outros.

As propostas finais incluem os termos financeiros e estratégicos para a entrada no capital da companhia aérea, sendo ainda avaliados o investimento previsto, o desenvolvimento da frota, a aposta em áreas como a manutenção e os combustíveis sustentáveis e o respeito pelos compromissos laborais.

A decisão final implicará ainda um conjunto de passos formais, incluindo a aprovação em Conselho de Ministros e a obtenção de luz verde das autoridades europeias de concorrência.

A Air France-KLM foi a primeira interessada a confirmar a apresentação de uma proposta não vinculativa, em abril, e reiterou o seu forte interesse na transportadora portuguesa. O grupo destacou também a experiência na relação com acionistas estatais.

O Estado francês é o maior acionista da Air France-KLM, com 27,98% do capital, seguido pelo Estado neerlandês, que detém 9,13%.

"A TAP encaixa totalmente na estratégia multi-hub da Air France-KLM, e o nosso objetivo é reforçar as operações em Lisboa, ao mesmo tempo que desenvolvemos a conectividade noutras cidades do país, incluindo o Porto", afirmou recentemente o presidente executivo do grupo, Benjamin Smith.

A Lufthansa defende, por sua vez, o crescimento da TAP no mercado brasileiro, a expansão do hub - plataforma giratória de distribuição de voos - de Lisboa e o reforço da operação no Porto.

O grupo alemão admite adquirir uma participação minoritária, mas pretende assegurar influência na gestão executiva da companhia.

A Lufthansa Technik está também a construir uma unidade industrial no parque empresarial Lusopark, em Santa Maria da Feira, dedicada à reparação e manutenção de componentes de aeronaves. O investimento deverá criar mais de 700 empregos qualificados até 2027.

Com Lusa

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