O preço das casas disparou desde o segundo trimestre de 2024, período marcado pela posse do primeiro Governo da AD e pelo lançamento do programa “Construir Portugal”. Nestes pouco mais de dois anos, assinalados também por uma nova legislatura da coligação PSD/CDS, o executivo de Luís Montenegro apresentou um conjunto de medidas para promover a oferta de casas no país, facilitar o acesso dos mais jovens a uma habitação e dinamizar o mercado de arrendamento. Para já, sem efeito claro na oferta e no preço dos imóveis. No primeiro trimestre deste ano - os últimos dados oficiais disponíveis -, o preço da habitação registou um aumento homólogo de 17,8%. É uma subida significativa, mas que traduz uma quebra de 1,1 pontos percentuais face à observada nos três meses anteriores. Ainda é cedo para concluir por uma inversão da tendência ascendente dos valores da habitação no país. A descida é ligeira e o mercado imobiliário é habitualmente pouco dinâmico no início de cada ano.Uma das medidas que foi bem acolhida (e que terá servido como mais um motor para acelerar o preço dos imóveis) foi a garantia pública para aquisição de casa pelos jovens e as isenções fiscais em sede de IMT e imposto de selo. Durante 2025, verificou-se um aumento dos empréstimos à habitação por parte desta camada populacional. Este movimento acabou por acender sinais de perigo, com o Banco de Portugal a apertar as regras na concessão de crédito para a compra de casa. Antes, já o Executivo tinha avançado com alterações à lei dos solos, tendo em vista uma maior oferta de terrenos urbanizáveis. Não tiveram efeitos.Este ano, o Governo publicou o tão aguardado choque fiscal para promover a oferta de casas, onde sobressai a redução do IVA para 6% na habitação a preços moderados. Os agentes do setor acreditam que poderá ter impacto positivo, mas os seus efeitos serão demorados. Dificilmente se verá um acréscimo de oferta para a classe média nos próximos dois a três anos. E alertam que sem simplificação dos processos de licenciamento ficará aquém do desejável. Na passada semana, foram apresentadas novas regras para o mercado de arrendamento. O programa não acolheu simpatias nem de senhorios nem de inquilinos. A crise de acesso à habitação em Portugal está bem identificada. E resume-se a falta de oferta adequada aos preços que os portugueses podem pagar. Refira-se que o salário mediano em Portugal é pouco superior a mil euros brutos mensais. Muitas vozes têm defendido que sem habitação pública não se resolve esta crise. .Casas com IVA a 6% podem ser vendidas sem penalização após um ano de residência.IVA a 6%: "Não vale a pena confiar em nenhuma medida antes de a AT se pronunciar"