Desassossego é o nome da nova coleção que a Ferreira de Sá Rugs vai apresentar em setembro ao mercado mundial. São doze tapetes de luxo, aos quais acresce um em nó manual português (técnica artesanal nas mãos de dez pessoas), inspirada numa das obras mais reconhecidas do poeta Fernando Pessoa. No próximo ano, a fabricante de Silvalde, Espinho, vai lançar um fio de plástico reciclado e reciclável, desenvolvido internamente ao longo de 18 meses, que incorpora todos os requisitos para a produção de tapetes exclusivos: suavidade, resistência, brilho, sustentabilidade. Em simultâneo, a octogenária empresa está decidida a consolidar a sua posição nos tapetes de luxo. Afirma-se líder na Europa, onde a produção é já pouca. “Estamos a estudar oportunidades de aquisição, quer de produtoras quer de companhias comerciais”, revela Américo Pinheiro, CEO da Ferreira de Sá.Segundo o gestor, que fez carreira na Louis Vuitton Moët Hennessy, a Artá Capital, acionista maioritária da Ferreira de Sá, “tem muita vontade de fazer crescer este projeto”, adquirido há três anos à também espanhola Sherpa Capital. Os olhos estão focados nos mercados europeu, norte-americano e asiático, avança Américo Pinheiro. O responsável sublinha que a Artá quer criar “uma companhia excepcional” e, para isso, “a ideia é consolidar”. A tapeçaria de luxo está circunscrita “a meia dúzia de indústrias. Há muito pouca produção na Europa. Está tudo muito concentrado no Nepal, Tibete e Índia”, afirma. “Na semana passada, estivemos a analisar uma empresa, mas não era o projeto”, adianta Américo Pinheiro, escusando-se a revelar mais pormenores. “Quando encontrar o bom negócio, avançamos”, sublinha.Os tapetes da Ferreira de Sá cobrem o chão de palácios residenciais em Marrocos, lojas de marcas de luxo no mundo, hotéis exclusivos da esfera global, mas também decoram paredes de insígnias hoteleiras. O Conrad Algarve exibe uma tapeçaria de 13 metros e 300 quilos no hall de entrada. Uma família marroquina solicitou especificamente ao arquiteto encarregado da remodelação do seu palácio um tapete da fabricante portuguesa para o salão de baile. Foi enviada uma tapeçaria de mil metros quadrados, dividida em vários módulos, que uma equipa da Ferreira de Sá montou no local ao longo de uma semana. Como sublinha Américo Pinheiro, os clientes da empresa são habitualmente arquitetos e designers mundiais. “Trabalhamos B2B” (de empresa para empresa), diz.No ano passado, a Ferreira de Sá produziu 15 mil tapetes (todos feitos à medida) e registou uma faturação na ordem dos 25 milhões de euros. O exercício ficou marcado pelo lançamento da primeira coleção, a Além Tejo. Inspirada no território alentejano, os 12 tapetes, mais um mural em nó manual, recordam elementos regionais como a cortiça, as cerâmicas de Nisa, as ondas do mar. Foi uma aposta para valorizar “as técnicas do ponto de vista estético” e a marca Ferreira de Sá, explica o gestor. “Quisemos tocar o cliente” e, para isso, “contámos a nossa história. É um grande fator saber contar a nossa história e a nossa identidade. E darmos o ponto estético”, frisa. Este ano, a Ferreira de Sá prevê atingir vendas próximas dos 30 milhões de euros. Os seus tapetes continuam a viajar para mais de 60 países, com especial presença na Europa, Médio Oriente e EUA, mas querem ir mais longe. Segundo Américo Pinheiro, “há terreno para crescer” e a próxima fase de expansão é a Ásia. Como adianta, “temos há dois anos uma equipa local nos EUA e estamos a trabalhar Nova Iorque e Los Angeles. Em Outubro, vamos olhar para Dallas. Em 2027, queremos abrir mais quatro países”. Na sua opinião, uma equipa local “significa um domínio mais direto e real dos mercados”. É um plano de crescimento assente nas vertentes orgânica e aquisição. Américo Pinheiro está também a apostar no desenvolvimento de projetos industriais internos. Para além do fio reciclado do plástico e reciclável, que servirá aos fornecedores de fio da empresa - todos num raio de 40 quilómetros de Silvalde -, a Ferreira de Sá está a trabalhar a lã. Como conta, é um projeto a lançar em 2028, com forte cunho histórico e cultural ligada aos pastores e à transumância. Todos os 270 trabalhadores, distribuídos por três fábricas (duas em Silvalde e uma em Santa Maria da Feira - depois da fusão fiscal da Desistart, que levou ao encerramento da unidade de Cortegaça), estão envolvidos nesta nova narração, onde se eleva o saber fazer de tapetes em nó manual, tecelagem manual, e também tufting (técnica pneumática) e flatweave (de trama plana). Aquando da apresentação da coleção Além Tejo houve quem não segurasse as lágrimas. Foi um momento de orgulho. .Renegociações de crédito habitação em queda mesmo com ameaça real de nova subida dos juros.Imobiliárias têm semestre recorde, apesar da falta "estrutural" de casas