A Dr. Online, tecnológica portuguesa especializada em telemedicina, está a preparar a sua entrada no competitivo mercado norte-americano, depois de ter internacionalizado a atividade para a Irlanda e Reino Unido. “Já estabelecemos a nossa entidade corporativa nos EUA - DrOnline Inc -, mas o calendário exato de lançamento e os passos operacionais em falta não são públicos nesta fase”, afirma José Lima, CEO da tecnológica. Segundo revela, esta oportunidade surgiu após a passagem pela nova-iorquina Techstars, em 2023, quando foi selecionada e financiada por este programa de aceleração.José Lima reconhece que a expansão para os EUA é um desafio exigente. É um país “onde há bastante concorrência, como a Teladoc, One Medical, Zocdoc, Hims & Hers e Calibrate”. Mas “é uma enorme oportunidade num mercado global de telesaúde que deverá atingir os 500 mil milhões de dólares (cerca de 427 mil milhões de euros) até 2030”. Na sua opinião, o trunfo da Dr. Online é a “aposta num acompanhamento preventivo contínuo”. Isso “diferencia-nos”, sublinha o responsável. Para já, vão atravessar o Atlântico com os seus próprios meios. Segundo salienta, a Dr. Online “é uma empresa orgulhosamente bootstrapped (autofinanciada) e rentável, com crescimento 100% orgânico e sem investidores externos”. A médio prazo, mas ainda sem data definida, está prevista uma ronda de investimento.Esta expansão além-fronteiras segue-se à entrada na Irlanda, em 2021, e no Reino Unido, em 2023. “A nossa plataforma tecnológica é altamente escalável”, frisa José Lima. E a transversal falha no acesso rápido a cuidados de saúde primários na Europa abre a porta ao Dr. Online. Como afirma, “estamos a estudar a possibilidade de avançar para outros mercados”, mas, no momento, “não podemos dar mais informações”..A presença internacional está também a impulsionar a faturação. No ano passado, a Dr. Online registou um volume de negócios de seis milhões de euros, um crescimento de 50% face a 2024. A operação portuguesa contribuiu com 1,9 milhões. O objetivo para o atual exercício é um novo “hipercrescimento de 50%”. A tecnológica projeta atingir a fasquia dos nove milhões de euros. “Esta meta assenta numa transição estratégica para modelos de receita recorrente, suportados pela automação radical do serviço ao cliente com agentes de IA, e pelo lançamento de apps web e mobile”, justifica José Lima.Fundada em 2020, em plena pandemia, por José Lima, engenheiro eletrotécnico, e Tiago Cadeiras, médico de clínica geral, a Dr. Online realizou até agora cerca de 175 mil consultas nos três mercados onde opera, apoiada por uma equipa de 70 médicos, 38 dos quais em Portugal. Conta com um total de 500 mil clientes. No início, as consultas médicas online limitavam-se às especialidades de clínica geral e psicologia, mas nestes cinco anos a oferta foi sendo reforçada. No mercado nacional, a Dr. Online disponibiliza consultas de urgência (adultos e crianças), clínica geral, psicologia, pedopsiquiatria, nutrição, consulta do viajante, de emissão de baixas e atestados, entre várias outras. Para José Lima, uma das vantagens da Dr. Online é “o acesso imediato sem filas de espera ou deslocações” a um médico. Sublinha também que a empresa conseguiu desmistificar o “mito da auscultação”. Segundo explica, “a vasta maioria dos diagnósticos para casos agudos baseia-se eficazmente na história clínica e no relato de sintomas, sem necessidade de toque físico”. Tem também parcerias para encaminhamento rápido do paciente para exames físicos de diagnóstico quando necessário..Dois meses de guerra: gasóleo dispara 22%. Gasolina sobe 14%.Cruzeiros foram opção de férias para 80 mil portugueses em 2025, um crescimento de 7%