Desconfinamento 3.0: Reabrir ou não os centros comerciais - eis a questão

O Conselho de Ministros analisa esta sexta-feira as medidas para a terceira fase do desconfinamento. Situação na área metropolitana de Lisboa suscita "preocupação".

"O que se passa hoje na região de Lisboa e Vale do Tejo deve ser ponderado e vai ser ponderado nas decisões do Governo nos próximos dias e próximas semanas, nomeadamente as que têm a ver com 1 de junho e depois, certamente."

A frase é do Presidente da República e foi dita esta quinta-feira após mais uma reunião (a sétima) no Infarmed com epidemiologistas para fazer um ponto da situação e medir os passos a dar para a terceira fase do desconfinamento, que esta sexta-feira de manhã será discutida no Conselho de Ministros.

Tendo participado na mesma reunião do Infarmed, um deputado do PSD, Ricardo Batista Leite, adiantaria depois aos jornalistas que o Governo tinha prometido ponderar sobre a possibilidade de a terceira fase do desconfinamento, que agora se vai iniciar, ocorrer a velocidades diferentes (mais lenta na região de Lisboa, mais rápida no resto do país).

O problema de Lisboa e Vale do Tejo é que o crescimento do número de infectados não dá mostras de abrandar - pelo contrário. Na quinta-feira, a DGS anunciou mais 304 novos casos. E desses, 265 (87%) foram em Lisboa e Vale do Tejo.

"Não se pode falar em descontrolo"

Há vários dias que a progressão da pandemia se regista assim, do ponto de vista da sua concentração geográfica. Na quinta-feira, dos 304 novos casos registados, apenas 34 infetados dos notificados se distribuem por outras regiões do país: 20 na região centro, 15 no norte, três no Sul e um no Alentejo.

A questão foi analisada na reunião do Infarmed - sessão que voltará a acontecer dia 8 de junho - e Marcelo Rebelo Sousa reconheceu que suscita "especial atenção e preocupação". Mas - salientou - "não se pode falar em descontrolo".

A situação será assim discutida esta sexta-feira no Conselho de Ministros, que confirmará novas reaberturas. Por exemplo, o regresso do futebol (quarta-feira, em estádios fechados ao público) ou das missas (que poderão voltar a ser celebradas comunitariamente já a partir de sábado).

Ora o que também está em causa é a reabertura dos centros comerciais - poderosos pontos de concentração de pessoas. E sabe-se que os vários surtos na região de Lisboa - o da Azambuja, por exemplo - resultam de situações onde o distanciamento não é possível (elevada concentração de pessoas em transportes públicos e depois nos respetivos locais de trabalho).

Assim, estarão em cima da mesa várias opções: reabrir os centros comerciais exceto na região de Lisboa e Vale do Tejo; reabrir no país todo por igual; ou não reabrir no país todo também por igual.

No Twitter, o primeiro-ministro prometeu que toda a situação será analisada "prudentemente". Nesta quinta-feira, ao fim da tarde, era garantido ao DN que a discussão no Conselho de Ministros se faria de forma aberta - portanto não havendo nenhuma decisão tomada.

Entretanto, o Governo vai preparando o Orçamento suplementar. Já está decidido que será debatido na generalidade no Parlamento em 19 de junho.

De acordo com a deputada do PS porta-voz da conferência de líderes parlamentares, Maria da Luz Rosinha, ainda não foi fixada a data da votação final global do documento, que dependerá da forma como decorrerem os trabalhos na especialidade.

A conferência de líderes fixou igualmente a data do debate do Estado da Nação - última grande discussão parlamentar da sessão legislativa - para 22 de julho.

Fonte do gabinete do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares disse à Lusa que o Governo prevê entregar o Orçamento do Estado suplementar no parlamento ou a 9 de junho - data em que o documento deverá ser aprovado pelo Conselho de Ministros - ou em 12 de junho, uma vez que dias 10 e 11 são feriados.

A conferência de líderes fixou igualmente a data do debate do Estado da Nação - última grande discussão parlamentar da sessão legislativa - para 22 de julho, podendo o último plenário para votações realizar-se logo no dia seguinte, em 23 de julho. Depois os deputados irão de férias.

Centeno sai com AR de férias?

Falta saber como se conjugarão estes calendários com uma eventual remodelação governamental que envolva o ministro das Finanças, Mário Centeno.

E ainda com a sua posterior eventual transferência para o cargo de governador do Banco de Portugal (Carlos Costa termina em julho o seu segundo e último mandato). Uma coisa é certa: o Parlamento tem de ouvir, na comissão de Orçamento e Finanças, o governador indigitado, seja ele quem for.

E o Governo pode estar a organizar a agenda de modo a que a "remodelação Centena" se faça já com o Parlamento de férias.

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