Alexandre Lourenço, presidente da Associação de Administradores Hospitalares
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COVID-19

"Os que aplaudem o SNS são os que vão querer cortar salários depois"

Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores de Hospitais, alerta para a tentação de cortes no SNS pós-covid e explica como o sistema conseguiu fazer face à epidemia - num conjunto de decisões políticas e sanitárias bem coordenadas.

Foi com ironia que viu o regresso ao Serviço Nacional de Saúde, e à ideia de que é essencial para Portugal?
Não sei se é ironia, mas é interessante perceber como a covid 19 alterou as perceções que sobre o sistema de saúde. E é interessante verificar como o sistema consegue estar a dar esta resposta. Ao contrário de outros países - e conseguimos fazer essa comparação - conseguimos perceber a vantagem de ter um serviço de saúde universal. Há outros países onde parte significativa da população não tem acesso a serviços de saúde. Portugal acaba por ser bom exemplo, na prestação de cuidados a imigrantes, refugiados. O SNS tem muitas vantagens e os portugueses acabam por se aperceber disso na altura de maior crise.

Vai de uma vez por todas perceber-se que um SNS público faz parte de uma espécie de soberania?
A memória é curta - as mesmas pessoas que criticavam o SNS, os profissionais de saúde, são as mesmas que batem palmas e que se sentem muito emocionadas com a resposta dos profissionais de saúde. Não esquecendo que vamos atravessar uma grave situação de crise económica. Costumo dar o exemplo da crise de 2008. No mesmo dia que há a falência do Lehman Brothers em Talin é assinada uma carta entre o Banco Mundial e os vários países da OMS na Europa e que diz que o investimento em saúde é investimento em crescimento económico. A partir da crise financeira, que começa naquele dia. a grande maioria dos países europeus faz uma redução nos seus orçamentos na saúde. A prova dos nove será perceber se essa perceção da importância do SNS se mantém. E não estou tão certo disso, porque o comportamento dos agentes é muito mais oportunístico do que estratégico. Se houvesse uma visão estratégica conseguíamos perceber isso.

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