"Sozinho em casa". Como vai ser o Natal do primeiro-ministro em São Bento

Nem assessores, nem adjuntos, nem secretárias - ninguém. Nem mesmo pessoal das cozinhas. Só polícias. O DN explica como vai ser o Natal "sozinho em casa" do primeiro-ministro na residência oficial de São Bento.

Obrigado a passar o Natal sozinho na sua casa oficial de São Bento, por razões de isolamento profilático, o primeiro-ministro poderá revisitar os clássicos televisivos da quadra natalícia - começando pelo Sozinho em Casa que todos os anos passa pelos ecrãs.

Desta vez o que a programação televisiva diz é que o canal por cabo AXN passará o Sozinho em Casa 2 nesta quinta-feira logo de manhã, a partir das 09.17 - mas com a box pode sempre repor o filme quando quiser. A sinopse diz que "o pequeno Kevin McCalister (Macaulay Culkin), outra vez sem a família, está agora em Nova Iorque, enquanto pais, tios, primos e irmãos voaram até à Florida para passarem um agradável Natal".

Mas na verdade "sozinho, sozinho, ele não está, já que se reencontra com os famosos bandidos molhados (Joe Pesci e Daniel Stern), recentemente fugidos da prisão e desejosos de lhe deitar as mãos".

O cenário de António Costa será bem diferente do do "pequeno Kevin McCalister". Vai um mundo de diferenças do luxuoso Hotel Plaza de Nova Iorque para o palacete de São Bento - um antigo colégio que nos finais dos anos 30 do século passado Salazar expropriou às Escravas do Sagrado Coração de Jesus para fazer do edifício a sua residência oficial - e a de todos os chefes de Governo que se lhe seguiram desde então.

O palácio está preparado para os chefes do Governo lá viverem - mas na verdade só Salazar e Cavaco Silva o fizeram. Para todos os outros foi mero local de trabalho.

Também seguramente não lhe acontecerá ali o mesmo que aconteceu no Plaza ao ator criança Macaulay Culkin: contracenar com Donald Trump. Pelo palacete de São Bento já passaram alguns presidentes dos EUA - mas Trump não.

No dia 29, se tudo correr bem, o PM já terá ordem de soltura. Poderá então ir até uma banca de jornais para comprar a edição do 156.º aniversário do DN, edição que marcará também o regresso diário do jornal às bancas.

O primeiro-ministro estará mesmo sozinho. Nem assessores, nem adjuntos, nem secretárias, nem chefe de gabinete. Têm todos ordem para descansar nos dias 24 e 25. Estarão apenas António Costa e os agentes da PSP que lhe fazem a segurança pessoal e a do edifício. O primeiro-ministro poderá evidentemente continuar a trabalhar - mas não tem nenhuma agenda pública prevista.

António Costa nem sequer terá para lhe fazer companhia o pessoal das cozinhas. Foram-lhe preparadas refeições de que se servirá, se quiser. Ou então pode cozinhar ele próprio - porventura uma cataplana, como a que fez quando foi ao programa de Cristina Ferreira na SIC. Ou então uma moqueca de camarão, outra das suas especialidades.

As ordens que o primeiro-ministro tem são para se colocar "em isolamento profilático preventivo até avaliação do grau de risco por parte das autoridades de saúde". No dia 29, se tudo correr bem, já terá ordem de saída - e poderá então ir até uma banca de jornais para comprar a edição do 156.º aniversário do DN, edição que marcará também o regresso diário do jornal às bancas.

O "isolamento profilático" do PM ocorre porque na quarta-feira dia 16 deste mês esteve em Paris com o presidente Emmanuel Macron - o qual testaria positivo à covid-19. O chefe do Governo português fez imediatamente um teste - que deu negativo. À cautela voltou nesta quarta-feira a ser testado - mas o resultado ainda não é conhecido.

De então para cá, toda a agenda tem sido mantida à distância, por videoconferência, inclusivamente para presidir ao Conselho de Ministros. Nesta quarta-feira o chefe do Governo coordenou, por exemplo, uma reunião sobre o plano de vacinação anticovid-19. E foi também digitalmente que se apresentou na sessão de cumprimentos natalícios do Governo ao Presidente da República, nesta terça-feira, em Belém - estreando-se então um ecrã vertical que se tornou rapidamente viral nas redes sociais.

Por causa do isolamento profilático preventivo, António Costa teve de cancelar visitas que tinha planeado fazer a destacamentos militares portugueses que estão colocados na República Centro-Africana, no Mali e em São Tomé e Príncipe. Não o podendo fazer, gravou uma mensagem vídeo, disponibilizada nas redes sociais do Governo.

"Como já é do conhecimento de todos, estou em isolamento profilático, não podendo deslocar-me, como planeado, para estar convosco. Mas é com a mesma determinação e alegria que vos envio esta breve mensagem para homenagear todos os militares que, 24 horas sobre 24 horas, 365 dias por ano, protegem sem alardes a nossa tranquilidade, os nossos bens e as nossas vidas. No nosso país e fora dele, em missões de grande importância ao serviço da comunidade internacional, ao mesmo tempo servindo igualmente os interesses do país e fazendo um trabalho extraordinário de que todos os portugueses se orgulham", disse o chefe do Executivo, dirigindo-se a todas as Forças Armadas.

"Podem contar comigo a 100%"

Também nesta quarta-feira - mas agora enquanto líder do PS -, Costa gravou uma mensagem aos militantes do PS.

"Pudemos encontrar-nos com muito menos frequência, não pudemos realizar o nosso congresso [nacional] e temos estado menos juntos. Mas longe da vista não é longe do coração", disse. Assegurando de seguida: "É para mim uma enorme honra poder estar aqui nestas funções neste momento tão duro da vida do país e podem contar comigo a 100%."

"Vamos poder colocar em marcha a visão estratégica que entretanto desenvolvemos e consolidámos, e o plano de recuperação económica que aprovámos."

Na mesma mensagem, recordou a sua própria condição atual para demonstrar que não é alheio ao sofrimento que a pandemia tem provocado: "Provavelmente alguns estão enlutados pela perda de familiares ou amigos, alguns estão angustiados por terem familiares ou amigos doentes. Outros, como eu, estão privados da sua liberdade por estarem em quarentena ou isolamento profilático."

E procurou, por outro lado, deixar uma nota de esperança para o futuro: "Estou certo de que agora que começamos a ter uma vacina disponível, agora que vamos poder começar a contar com um reforço dos fundos comunitários, vamos poder colocar em marcha a visão estratégica que entretanto desenvolvemos e consolidámos, e o plano de recuperação económica que aprovámos."

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