António Costa, a cataplana de peixe e o gosto de ir à lavandaria

Primeiro-ministro esteve no Programa da Cristina, líder de audiências das manhãs televisivas.

Depois de Assunção Cristas, esta terça-feira foi a vez de António Costa pôr um avental para cozinhar uma cataplana de peixe no Programa da Cristina, o formato líder de audiências das manhãs televisivas. Não foi o primeiro-ministro que escolheu o prato - foi a mulher, Fernanda Tadeu - num momento que teve a presença de toda a família do líder do Executivo. Enquanto cortava cebolas e tomates, Costa falou menos sobre política e mais sobre a vida do dia-a-dia.

A participação do primeiro-ministro no programa - lançado por Cristina Ferreira como um momento para conhecer o homem por detrás do político - começou com Costa a recordar os seus primeiros anos. "Tive uma infância feliz, tenho muito boas recordações", afirmou, relembrando também a condição de filho de pais separados, uma "raridade" à época, um "bocadinho estigmatizante". Não gostou da primária, apanhou reguadas, que atribuiu ao... "irritante". Não o "otimismo crónico ligeiramente irritante" que lhe foi apontado pelo Presidente da República, mas perto disso: "Há um sorriso que eu tenho que é muito irritante, que nunca consegui corrigir", um sorriso "com o qual as pessoas não simpatizam" e que levava os professores a achar que "estava a gozar com eles". Há adversários políticos que talvez concordassem com a apreciação, mas Costa garante que não é o caso - "é uma coisa nervosa ou de timidez".

Do sofá, a conversa passou para a cozinha, já com Fernanda Tadeu no programa: "Essas coisas das mulheres cozinharem sempre tem os dias contados, ainda por cima ele cozinha muito melhor do que eu". E foi com Costa a preparar os ingredientes que a mulher contou como se conheceram, no liceu, a amizade que se prolongou por anos - "Ele tinha muitas namoradas" - até ao namoro e ao casamento, há 31 anos (32, segundo a correção do próprio Costa).

Pelo caminho, juntaram-se ao programa os filhos e a nora de Costa, Cristina Ferreira evoca os protestos de enfermeiros e professores (e uma manifestação de docentes, ao tempo do governo de Sócrates, em que participou Fernanda Tadeu), para perguntar se há queixas lá em casa. "Mas conhece alguém que não se queixe?", foi a resposta do primeiro-ministro.

E foi por esta altura que Cristina Ferreira disse ter recebido de um espectador um vídeo onde se vê António Costa a sair de uma lavandaria: "Gosta desses trabalhos domésticos?". De ir à lavandaria [de self service] sim, responde o primeiro-ministro, "gosto muito, é um bom momento, lê-se um livro, dá para pôr uns auscultadores".

E a política...

Nos poucos momentos em que se falou de política pura e dura, Cristina Ferreira perguntou a António Costa se os incêndios de 2017 são "uma mancha negra" do seu mandato. "Espero que não haja outros. É uma coisa horrível, marcante. Será sempre inesquecível, aqueles dias de junho e de outubro". O primeiro-ministro referiu-se também aos problemas com os donativos às vítimas dos incêndios. "Na altura criámos um fundo para organizar estes donativos. Os cidadãos deram muito, mas por várias razões, provavelmente por falta de confiança no Estado, optaram por dar diretamente a várias entidades". Costa diz que antecipou que haveria problemas: "Quando vi aqueles armazéns percebi que as coisas dificilmente iriam correr bem". Mas garante que os problemas não se estendem às doações feitas ao Estado, essas "estão todos auditadas".

Questionado sobre as eleições legislativas de outubro, o primeiro-ministro disse estar "confiante" - "mas isso já não é comigo".

No final não chegou a ver-se o resultado da cataplana cozinhada pelo primeiro-ministro. Cristina Ferreira garantiu que cheirava bem. Fora do estúdio, o travo já foi a pré-campanha eleitoral.

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