Coletes amarelos: detido guarda prisional de extrema-direita

Um dos detidos pela PSP no Marquês de Pombal, por desobediência, coação e resistência à autoridade, é guarda prisional e foi já preso pela PJ, em 2016, numa operação contra skinheads.

João V., guarda prisional no ativo e apoiante do Partido Nacional Renovador (PNR), detido nesta sexta-feira pela PSP no protesto dos coletes amarelos, no Marquês de Pombal, é um velho conhecido das autoridades. Em 2016 foi um dos alvos da Polícia Judiciária (PJ) numa operação em que foram detidos duas dezenas de skinheads, indiciados por várias ações violentas contra comunistas, negros, homossexuais e muçulmanos.

O guarda, de 36 anos, prestava na altura serviço no estabelecimento da Carregueira e é suspeito de ter participado no espancamento de militantes do PCP, em setembro de 2015, juntamente com um grupo de cabeças rapadas.

Conforme noticiou na ocasião o DN, um grupo de pessoas, militantes do PCP, saía de um comício do partido no Coliseu dos Recreios quando, na Rua das Portas de Santo Antão, foi atacado pelos skinheads, entre os quais estaria João V. Em resultado destas agressões um sindicalista sofreu lesões cerebrais irreversíveis.

Testemunhas das agressões encontraram no chão uma carteira com a sua identificação, que deixara cair quando fugia da PSP com os outros skinheads. João V. alegou que tinha intervindo para separar as pessoas e acalmar os ânimos e que não fugiu com os skins, mas foi em sua perseguição, tendo deixado cair a carteira nessa altura. Uma versão que não convenceu a Judiciária.

Até porque também a PSP, que conduziu a primeira fase da investigação a estas agressões, tinha informações que já indiciavam a inclinação deste guarda prisional para comportamentos extremistas: a sua proximidade com o PNR e a grupos de skinheads, mas também por esta referenciado em inquéritos relacionados com a violência no futebol, na claque Ultra XXI, do Futebol Clube do Porto.

Estava, nesta sexta-feira, junto com o grupo do PNR, entre os quais o presidente José Pinto Coelho, e foi detido com outras duas pessoas por resistência, desobediência e coação às autoridades.

Em 2016 foi libertado pelo juiz de instrução, com a medida de coação de termo de identidade e residência, tal como aconteceu com os outros arguidos.

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