"Marcelo evitará mais crise e caminhos pantanosos"

Marques Mendes O antigo líder do PSD justifica o seu voto nas presidenciais em artigo de opinião num jornal centenário.

O jornal tem 100 anos e ganhou uma ilustre galeria de opinadores, entre os quais Marques Mendes. No primeiro artigo de opinião, que o antigo líder do PSD escreve para O Regional, publicação de São João da Madeira, justifica as razões pelas quais votará em Marcelo Rebelo de Sousa, de quem é conselheiro de Estado, para a Presidência da República. Mendes defende que só o atual Presidente da República poderá "evitar mais crise e caminhos pantanosos", que poderiam surgir no pós-pandemia.

Mendes invoca três razões para a confiança depositada naquele que foi também líder do partido e que também foi comentador político nas televisões. . No artigo escrito para o jornal regional, reconhece que nos primeiros cinco anos de mandato, Marcelo "teve certamente erros, exageros e omissões", mas "descrispou e uniu um país crispado e dividido como nunca, na sequência das eleições legislativas". As eleições de 2015, em que apesar da coligação PSD/CDS ter conquistado o maior número de votos, a maioria fez-se à esquerda, com António Costa a conseguir formar governo. Foi ainda Cavaco Silva que deu posse ao executivo socialista, mas Marcelo Rebelo de Sousa, eleito em janeiro de 2016, quem acabou por convier com esses primeiros tempos de tempestade política.

Marques Mendes recorda depois a tragédia dos incêndios, já a meio do mandato, em 2017, em que "o Presidente, como devia ser - solidário com as populações, exigente no apuramento de responsabilidades e especialmente crítico com o Governo, levando mesmo à demissão de uma ministra". No caso Constança Urbano de Sousa, então titular da pasta da Administração Interna.

E por fim, sublinha, que confrontado com a brutal pandemia, "teve a coragem" de avançar com o estado de emergência, mesmo contra a opinião do governo. "Se essa coragem não tivesse existido, as consequências teriam sido bem mais graves".

Estes três momentos do mandato de Marcelo em Belém, frisa Mendes, definem um Presidente "federador, próximo das pessoas, exigente e determinado".

Quanto aos debates televisivos para as presidenciais, o antigo líder do PSD afirma que só Marcelo é candidato à Presidente, porque todos os outros adversários têm outros propósitos. "Tirando uma candidata que tem uma agenda de ajuste de contas com o seu próprio partido, todos os outros são candidatos partidários. Estão a usar as presidenciais como trampolim para as eleições legislativas, fazendo daquelas umas primárias destas. Votar neles é votar em partidos. Não é votar num Presidente. Ora estas são eleições presidenciais, não são eleições legislativas. O seu a seu dono. Cada macaco no seu galho!" - escreve.

"Tirando uma candidata que tem uma agenda de ajuste de contas com o seu próprio partido, todos os outros são candidatos partidários. Estão a usar as presidenciais como trampolim para as eleições legislativas"

No artigo de opinião remata com a ideia de que a tremenda crise económica e social que a pandemia vai gerar este ano, poderá conduzir a "crispação social, défices económicos e até crises políticas".

"Neste clima de potencial instabilidade, não devemos entrar em aventuras, multiplicar confusões, acrescentar crise à crise. A verdade é que só Marcelo garante tal desiderato, evitando caminhos pantanosos. Tem experiência que chegue, competência que baste, uma invulgar capacidade de trabalho, um talento e visão política que não estão ao alcance do comum dos mortais", remata.

Marques Mendes é muito próximo de Marcelo Rebelo de Sousa, que o convidou na sua quota de Presidente da República para o Conselho de Estado, órgão de aconselhamento político. Mendes foi ainda líder parlamentar da bancada social-democrata de 1996 a 1999, com Marcelo na liderança do PSD. Ambos foram presidentes do partido e partilham a experiência de comentadores políticos nas televisões.

Em entrevista dada ao Público no verão, Mendes confessava que ainda hoje continua a falar a altas horas da noite com Marcelo, com quem tem uma relação de amizade.

Este é primeiro artigo de opinião que publica n"O Regional e faz parte de um novo leque de colunistas do jornal regional, que entra numa nova fase da sua já longa vida, com novos acionistas, entre os quais Manuel Castro Almeida, que foi secretário de Estado do Desenvolvimento Regional no governo de Passos Coelho, presidente da Câmara de São João da Madeira e ex-vice-presidente de Rui Rio.

Os novos colunistas do jornal são figuras políticas com origem na região: Jorge Costa, do Bloco de Esquerda; João Almeida, deputado do CDS que se candidatou à liderança do partido nas últimas diretas; e o ministro das Infraestruturas e da habitação, o socialista Pedro Nuno Santos.

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