Premium Tancos. Procuradora alvo de inquérito-crime por interceder contra o MP

A magistrada Cândida Vilar terá sido apanhada numa escuta a sugerir ao major Brazão que não desse informações ao DCIAP nem à PJ.

O Ministério Público (MP) abriu um inquérito-crime contra a procuradora Cândida Vilar, "que teve origem numa certidão extraída do processo de Tancos". Segundo o DN apurou, vão ser averiguadas suspeitas de a magistrada ter intercedido no caso de Tancos, no qual não tinha nenhuma responsabilidade. Terá aconselhado um oficial da Polícia Judiciária Militar (PJM), o major Vasco Brazão, a não fornecer informação ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e à Polícia Judiciária (PJ) no processo, prejudicando assim a investigação ao assalto, que estava em curso.

Em causa podem estar, além da violação de deveres funcionais - que constam no estatuto dos magistrados do MP -, vários crimes contra a realização da justiça, como denegação de justiça, prevaricação e favorecimento pessoal.

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