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Glifosato debaixo de fogo. Bruxelas mantém herbicida autorizado até 2022

Apesar das acusações de plágio, a Comissão Europeia garante não existirem dados que ponham em causa a decisão de autorizar o produto. Ambientalistas pedem que o herbicida seja banido, enquanto a indústria continua a garantir que é um composto seguro.

A polémica em torno do glifosato - herbicida classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como potencialmente carcinogénico - parece estar cada vez mais longe do fim. Agora, novos dados revelam que os especialistas contratados pela União Europeia (UE) para avaliar o herbicida mais usado no mundo copiaram uma grande quantidade de informação dos relatórios produzidos pela indústria. Uma revelação que reacendeu a discussão, já que foi esse documento que serviu de base à renovação da autorização do composto por mais cinco anos, em 2017, na UE. Contudo, apesar das acusações, a Comissão Europeia decidiu manter o herbicida autorizado até 2022.

É mais um capítulo na novela do glifosato, que nos últimos anos tem sido notícia por diversas vezes, e nunca por boas razões. No ano passado, por exemplo, um tribunal de São Francisco, nos EUA, condenou a Monsanto (comprada pela Bayer), que comercializa o produto, a pagar 290 milhões de dólares (255 milhões de euros) por esconder os perigos do herbicida Roundup (à base de glifosato), que terá estado na origem do cancro desenvolvido por um jardineiro. Uma indemnização posteriormente reduzida, mas que provocou danos elevadíssimos na imagem e nas contas da gigante alemã.

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Patrícia Viegas

Espanha e os fantasmas da Guerra Civil

Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.