Premium "Os emigrantes que foram a salto e viveram no bidonville são os meus heróis"

Christophe Fonseca perdeu a conta ao número de filmes que assinou, mas sabe que só depois do documentário sobre Amadeo de Souza-Cardoso ficou conhecido em Portugal. Falámos com realizador na sua casa em Janardo, uma aldeia nos arredores de Leiria.

Fala um português escorreito, sente-se tanto português como francês, e recebeu o DN em sua casa, na aldeia de Janardo, nos arredores de Leiria. Christophe Fonseca já perdeu a conta ao número de filmes que assinou, mas sabe que só depois do documentário sobre Amadeo de Souza-Cardoso é que passou a ser conhecido em Portugal. É sócio do realizador Ruben Alves na produtora Imagina (juntos realizaram já diversos trabalhos), com sede em Lisboa, mas é na sua francesa Les Films de l'Odyssée que trabalha a maior parte do tempo. Nascido e criado em Champigny-sur-Marne, o cineasta passou a infância a ouvir histórias de carabineiros que perseguiam os emigrantes, dos passadores que enriqueciam a fazê-los chegar ao destino, e de como se vivia num bairro de lata, como aconteceu a muitos da sua família. Para 2019 está agendada a estreia de Além-Fronteiras, o filme-documentário que conta a história da emigração clandestina, de que é filho.

Que filme é este, o que conta sobre a emigração?

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