Premium Já fecharam mais de dez colégios que tiveram cortes do Estado

Verba para contratos de associação caiu para perto de um terço numa legislatura. Privados alertam para mais fechos, mas ministério avisa que a prioridade é cada vez mais a escola pública.

Foi uma das primeiras batalhas do governo na Educação e a verdade é que três anos depois muito mudou no panorama dos contratos de associação. Dados acabados de publicar pela Direção-Geral da Administração Escolar (Ministério da Educação) mostram que no ano civil de 2018 foram pagos cerca de 65 milhões de euros a 67 colégios que supostamente servem zonas com pouca cobertura de escolas públicas. É menos de metade do que era transferido para o privado quando o governo tomou posse, e neste ano será ainda menos. Pelo menos 11 colégios não resistiram a este grande corte de turmas apoiadas, segundo contas feitas pelas associações que os representam, e muitos outros podem ainda fechar portas. "Revoltante", dizem os representantes do privado; "foi o mercado a falar", contra-argumenta o governo.

O corte nas transferências do Estado é evidente. No total do ano letivo 2017-2018 (que abrange dois anos civis) terão sido pagos 72 milhões, para apoiar quase 900 turmas. Para este ano letivo, o ministério conta transferir ainda menos, 52 milhões para menos de 650 turmas de 58 colégios. Feitas as contas em jeito de balanço de legislatura, num retrato a pinceladas largas equivale a dizer que as transferências para o privado nesta área e as turmas apoiadas passaram para perto de um terço do que existia quando o governo tomou posse (2015-2016: 1684 turmas, quase 140 milhões de euros, 79 colégios financiados). O Estado paga 80 500 euros por cada turma.

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