Costa ganha em todos os golpes e ameaça levar Rio ao tapete

Barómetro mediu atributos dos dois líderes e a vantagem do socialista sobre o social-democrata é clara, culminando na maior confiança para o cargo de primeiro-ministro.

Imaginemos que o palco da política é um ringue de boxe. Que no canto esquerdo está António Costa e no canto direito Rui Rio. Feitas as contas ao que já conhecemos do combate, o líder do PS bate o do PSD por muitos pontos. Nalguns momentos, até o leva ao tapete. Essa é pelo menos a conclusão do barómetro que a Aximage fez para DN, JN e TSF: a vantagem de Costa sobre Rio é enorme seja na avaliação de desempenho, seja na confiança para o cargo de primeiro-ministro, ou na avaliação da personalidade e das políticas de cada um que é feita pelos portugueses.

Comecemos pela nova variável que mede o apelo pessoal e o das políticas dos dois líderes. Os números demonstram que o socialista parte de uma base bastante sólida: 37% gostam da figura e das suas políticas. A isso acresce que 54% gostam da personalidade, independentemente do que pensam sobre as políticas; e 48% gostam das políticas, independentemente da avaliação mais pessoal; apenas um em cada quatro portugueses admite não gostar nem do homem nem da sua política.

Já a base do social-democrata não podia ser pior: 34% não gostam do líder nem das suas políticas, precisamente o dobro da percentagem que admite uma admiração quase incondicional (17%). Obtém ainda um mau resultado quando se tem em conta os que gostam das políticas, independentemente de avaliações pessoais, com 28%. Só consegue atenuar parcialmente os golpes do adversário quando se trata do gosto pela personagem, independentemente das suas prioridades políticas (40%).

Personagem vs. políticas

Uma das evidências deste estudo, aliás, é que os portugueses dão mais peso à personagem do que às suas políticas. E onde essa conclusão é mais evidente é precisamente nos resultados de Rui Rio. Feitas as contas a todos os segmentos da amostra (seja no género, nas idades, nas classes sociais, nas regiões ou nas preferências eleitorais), o apelo das opções políticas nunca se sobrepõe ao apelo das características pessoais. Há um único caso - os inquiridos que têm entre 18 e 34 anos - em que se regista um empate na casa dos 30%.

Essa é também a norma quando estão em causa as escolhas relativas a António Costa. Mas, no caso do socialista, há algumas notáveis exceções, em que o apelo das políticas mostra ter mais força do que o apelo da personalidade: entre os habitantes da Área Metropolitana do Porto (62% gostam das suas políticas, independentemente do gosto pessoal), e entre os eleitores do Bloco, do PAN e da Iniciativa Liberal (ainda que neste último caso seja preciso realçar que dois terços não gostam nem do líder nem das suas políticas).

Avaliação de desempenho

Quando a variável em análise é a clássica avaliação de desempenho, a superioridade de Costa sobre Rio continua a ser muito elevada. O socialista consegue 54% de notas positivas e 25% de notas negativas, o que faz dele o único líder partidário com um saldo positivo (24 pontos). As mulheres, os portugueses de 65 ou mais anos e, naturalmente, os eleitores socialistas são os segmentos que lhe dão o maior empurrão.

Quanto ao social-democrata, até recuperou terreno durante o mês de dezembro, somando mais três pontos, para chegar aos 32% de avaliações positivas, e subtraindo outros três pontos, para descer para 35% de avaliações negativas. Mas continua com saldo negativo, embora muito distante dos maus resultados dos restantes líderes partidários. Rio é mais valorizado pelos homens, pelos que vivem na região norte, pelos mais idosos e pelos que votam no PSD (61% de notas positivas neste segmento, longe dos 88% de Costa entre os socialistas).

Confiança para governar

Feitas todas as contas e naquela que é a principal razão para os jogadores se posicionarem no ringue, a tentativa de chegar a primeiro-ministro, António Costa leva Rui Rio ao tapete: 53% confiam no socialista quando está em causa governar o país, apenas 19% optam pelo social-democrata. O primeiro-ministro volta a beneficiar da boa imagem junto do eleitorado feminino e de idade mais avançada, mas também está bem alicerçado em toda a esquerda.

O aspirante a primeiro-ministro está por baixo, mas a contagem do combate só termina no momento de ir às urnas. E pode sempre aspirar a mudar a opinião, por exemplo, dos 22% que não confiam em nenhum. Os seus mais fiéis seguidores voltam a ser, como noutro tipo de avaliações, os que vivem na região norte, mantendo-se igualmente a preponderância masculina. Rio tem menor suporte partidário, uma vez que só convence os que votam no seu partido e os liberais.

rafael@jn.pt

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