O valor médio dos novos créditos à habitação vendidos pela banca portuguesa, em 2025, disparou mais de 21% em termos anuais, com o valor médio da hipoteca a tocar agora os 175 mil euros, um recorde, mostra o Banco de Portugal (BdP) no novo Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito, uma publicação anual que foi divulgada esta segunda-feira (22 de junho)."A evolução do crédito à habitação no ano de 2025 registou um crescimento muito significativo impulsionado pelo contexto económico caraterizado pela descida das taxas de juro de referência e resiliência do mercado de trabalho, a que se juntaram a subida dos preços da habitação e a vigência da Garantia do Estado destinada a facilitar o acesso à habitação por parte dos jovens com idade até aos 35 anos", explica a autoridade monetária governada por Álvaro Santos Pereira no novo estudo.Esta última medida pública da garantia jovem "constitui uma garantia a favor das instituições, de até 15% do valor da transação, que permite viabilizar a concessão de crédito à habitação própria e permanente com LTV, loan-to-value [rácio entre o valor do empréstimo e o valor da casa], mais elevado".Assim, continua o BdP, "em média, foram celebrados 11.134 contratos de crédito à habitação por mês, aos quais correspondeu um montante médio mensal de crédito concedido de 1.949,9 milhões de euros, valor que superou o anterior máximo observado em 2024"."Face a 2024, o número de contratos celebrados apresentou um aumento de 11,5% e o montante de crédito concedido aumentou 34,9%, tendo registado aumentos homólogos em todos os trimestres de 2025, contudo, sucessivamente menos expressivos."Com isto, o banco central conclui que "o montante médio dos novos contratos aumentou 21,1%, fixando-se em cerca de 175 mil euros".Esta forte subida "pode ser explicada, entre outros fatores, pela subida do índice de preços da habitação e pelo efeito da contratação ao abrigo da Garantia do Estado".Esta última medida "também contribuiu para a subida do prazo médio dos novos contratos de crédito à habitação (31,7 anos, comparativamente a 30,7 anos em 2024), considerando a sua incidência sobre faixas etárias com capacidade para contratar crédito com maiores maturidades", explica o Banco.Bancos têm a haver 112 mil milhões de euros em hipotecas junto das famíliasConsiderando o total de empréstimos vivos e concedidos pela banca, os números mostram que o recurso ao crédito está em alta, para mais depois de um período muito longo (mais de seis anos até meados de 2022) de taxas de juro próximas de zero."No final de 2025, as instituições tinham em carteira cerca de 1,33 milhões de contratos de crédito à habitação (mais 2,1%, face a 2024), aos quais correspondia um saldo em dívida de 111,7 mil milhões de euros (mais 11,6%)".Assim, "o prazo médio dos contratos na carteira das instituições manteve-se relativamente estável entre o final de 2024 e o final de 2025 (de 33,6 anos para 33,5 anos)", refere o BdP.O banco central recorda que durante o ano passado, "num contexto de taxas de juro tendencialmente decrescentes, registou-se uma substituição parcial de contratação a taxa mista (de 82,1% do número de novos contratos, em 2024, para 75%, em 2025, e de 81,5% do montante concedido, em 2024, para 75,4%, em 2025) por contratação a taxa variável (de 11,8% do número de novos contratos, em 2024, para 18,7%, em 2025, e de 12,4% do montante concedido, em 2024, para 18,6%, em 2025)"."A contratação a taxa fixa continuou com peso reduzido, representando 6,3% dos novos contratos (6,1%, em 2024) e 6% do montante concedido (6,1%, em 2024)."Já os contratos a taxa variável "continuaram a representar a maioria da carteira de crédito à habitação, ascendendo, no final de 2025, a 68,1% do total de contratos em carteira 50,6% do saldo em dívida"."Na contratação de crédito à habitação a taxa variável, em 2025, a Euribor a 6 meses representou 58,9% do número de contratos e 57,5% do montante concedido, e a Euribor a 12 meses representou 32,7% dos contratos e 35,2% do montante", informa o BdP.Crédito ao consumo e à compra de carro em forte altaFora do segmento da habitação (que é um investimento), o negócio bancário continua a proliferar nos mercados mais arriscados e com taxas de juro mais elevadas, como no crédito pessoal, cujos montantes são depois usados em bens e serviços "de consumo" vários.Segundo o BdP, "foram celebrados, em média, 142 924 contratos de crédito aos consumidores por mês, aos quais corresponderam cerca de 761 milhões de euros"."Estes valores representaram crescimentos de 4% no número de contratos celebrados e de 11% no montante de crédito concedido, face a 2024" e "o número de contratos celebrados e o montante de crédito concedido evidenciaram um crescimento nos segmentos de crédito pessoal (12,1% e 12,7%, respetivamente) e de crédito automóvel (8,5% e 12,2%, respetivamente)".O regulador bancário nota que "o crédito pessoal foi o segmento que registou o crescimento mais acentuado, com um aumento do montante concedido de 12,7% face a 2024, após a variação de 8,1% observada nesse ano". O crédito automóvel acompanhou, tendo avançado em valor "12,2% em 2025 em comparação com 2024, em termos de montante concedido (14,9% em 2024 face a 2023)".Cinco anos para amortizar consumos, mais de sete anos no caso dos carrosNo crédito pessoal, o BdP apurou que "o prazo médio dos contratos celebrados aumentou, de 4,8 anos, em 2024, para 4,9 anos, em 2025" e que no crédito automóvel, "o prazo médio reduziu-se para 7,4 anos em 2025 (7,5 anos em 2024)"."Os contratos de crédito pessoal registaram um montante médio de 7100 euros, igual ao valor médio observado em 2024" e "no crédito automóvel, o montante médio por contrato aumentou de 15 300 euros (2024) para 15 800 euros (2025)".(atualizado às 17h50).Maturidade dos empréstimos a jovens com 30 a 35 anos para compra de casa vai subir de 37 para 40 anos.Álvaro Santos Pereira: aperto no acesso das famílias ao crédito à habitação tem de ser "vinculativo".Crédito à habitação: Taxa de juro recua para 3,077% mas sobe nos novos contratos, em abril