TAP sobe preços dos bilhetes para responder à pressão dos custos com combustível
Leonardo Negrão

TAP sobe preços dos bilhetes para responder à pressão dos custos com combustível

Companhia aérea, liderada por Luís Rodrigues, espera impacto nos custos nos próximos meses com a escalada dos preços dos combustíveis. Para fazer face aos aumentos, assume que irá encarecer as tarifas das passagens aéreas “em linha com o mercado”.
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A TAP vai aumentar as tarifas dos bilhetes cobradas aos passageiros nos próximos meses, de forma a conseguir fazer face ao aumento dos custos com os combustíveis.

Este é um dos eixos centrais da estratégia traçada pela companhia aérea, liderada por Luís Rodrigues, para responder à escalada dos preços do petróleo, que têm disparado desde o início da guerra no Médio Oriente. A transportadora explica que irá mitigar esta evolução através de uma combinação de medidas, que serão aplicadas quer ao nível das receitas, quer no capítulo dos custos onde, afiança, irá adotar uma “execução disciplinada”.

A transportadora de bandeira não revelou quais são as projeções destes aumentos a serem refletidos nos clientes, mas garante que as subidas previstas estarão enquadradas “com as tendências de mercado”, justificou esta segunda-feira, 25 no comunicado de resultados do primeiro trimestre do ano.

A TAP segue, desta forma, a mesma linha de atuação do restante setor da aviação mundial, que tem vindo a incrementar os preços das passagens aéreas e a aplicar taxas adicionais, depois de ver o preço do querosene - o combustível utilizado na aviação, - duplicar nos últimos dois meses, devido ao conflito no Irão que levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz.

Estas subidas não se repercutiram ainda na operação do início do ano da companhia portuguesa que, pelo contrário, conseguiu poupar 37,8 milhões de euros no jet fuel face ao mesmo período de 2025, através do hedging .

Os custos com combustível, entre janeiro e março, ascenderam aos 196,2 milhões de euros, representando 20% dos gastos operacionais da TAP. Contudo, a empresa espera um aumento da pressão nos próximos meses.

“Num contexto de preços de combustível significativamente mais elevados, o impacto no primeiro trimestre foi limitado, refletindo o habitual desfasamento na revisão de preços, sendo expetável que os efeitos do aumento dos preços de combustível virão a pressionar os próximos trimestres, mantendo-nos focados na sua mitigação através de uma gestão disciplinada da capacidade, controlo rigoroso de custos e gestão ativa da receita”, justificou, na mesma nota, o CEO.

A TAP adiantou que tem um rácio de cobertura de combustível de 47% contratada até ao final de 2026, um valor, ainda assim, inferior ao de outras companhias - por exemplo, a Lufthansa, a Air France-KLM, a Ryanair ou a easyjet têm, atualmente, entre 60% a 85% do seu combustível protegido para os próximos meses.

“Uma parte significativa da carteira de cobertura está estruturada com estratégias baseadas em opções, evitando um bloqueio total dos preços e permitindo beneficiar de eventuais quedas no preço do combustível de aviação. A estratégia de hedging da TAP baseia-se na cobertura direta do combustível de aviação, em vez de recorrer a referências indiretas, como o petróleo bruto ou outros produtos refinados, permitindo uma mitigação de risco mais precisa e eficaz do que a normalmente observada no setor”, explicou a transportadora.

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