TAP reduz prejuízos para 39,9 milhões de euros no primeiro trimestre

TAP reduz prejuízos para 39,9 milhões de euros no primeiro trimestre

Companhia aérea liderada por Luís Rodrigues reduziu perdas em 68,3 milhões de euros. Aumento das receitas com passagens e negócio da manutenção deram impulso às contas. Fatura com combustível diminui, mas a companhia espera impactos nos próximos meses e admite aumentar preços dos bilhetes.
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A TAP reportou um resultado líquido negativo de 39,9 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, que compara com os -108,2 milhões de euros registados no mesmo período de 2025, representando uma redução homóloga nas perdas de 68,3 milhões de euros, informou esta segunda-feira, 25, a transportadora aérea em comunicado.

A melhoria dos prejuízos fez-se, sobretudo, à boleia do aumento das receitas com a venda dos bilhetes de avião e com a boa performance do negócio da manutenção. A companhia destaca ainda o contributo positivo das diferenças de câmbio no período, no valor de 28,9 milhões de euros.

“A TAP apresentou um desempenho robusto no arranque do ano, com uma melhoria significativa face ao ano anterior, demonstrando a capacidade da companhia para executar com disciplina e responder às suas prioridades e desafios operacionais. Este desempenho reflete um claro foco na execução da estratégia, com os mercados da América do Sul e da América do Norte a continuarem a desempenhar um papel relevante no crescimento da operação e das receitas, traduzindo‑se numa melhoria significativa dos resultados operacionais", afirma o CEO da TAP.

Luís Rodrigues sublinha, no entanto, o contexto exterior "muito desafiante", marcado por constrangimentos contínuos nas cadeias de abastecimento" e "por desafios operacionais na implementação do sistema Entry/Exit nos aeroportos europeus".

As receitas operacionais cresceram 11% para os 914,4 milhões de euros, uma subida sustentada pelo incremento das receitas com passagens que totalizaram 810,3 milhões de euros (+10,4%). A capacidade aumentou 3,9% impulsionada, em grande medida, pelos mercados da América do Sul e da América do Norte - onde a capacidade cresceu cerca de 6% e 9%, respetivamente.

O PRASK (receita por passageiro por assento-quilómetro disponível) fixou-se em 6,31 cêntimos (+6,2%). A companhia transportou mais passageiros entre janeiro e março, num total de 3,7 milhões de (+6,4%).

A TAP também ganhou mais com o negócio da manutenção e com os serviços de reparação de aeronaves prestados a terceiros. O bom desempenho deste segmento valeu à transportadora 58,4 milhões de euros em receitas, um subida de 31,8%. Por outro lado, as receitas de carga e correio caíram 4,8% para os 37 milhões de euros.

O EBITDA recorrente (resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) foi positivo no acumulado do trimestre, totalizando 95,5 milhões de euros, o que representa uma melhoria de 92,6 milhões de euros face ao período homólogo de 2025.

Já o resultado operacional, medido pelo EBIT, manteve-se negativo em 36,1 milhões de euros, ainda assim traduzindo uma melhoria de 83,1 milhões de euros em comparação com os primeiros três meses do ano passado.

A TAP refere ainda ter mantido uma posição de liquidez sólida de 879,8 milhões de euros, a 31 de março de 2026, tendo o rácio dívida financeira líquida / EBITDA melhorado para 2,2 vezes, refletindo "a redução da dívida financeira líquida e a melhoria do EBITDA recorrente dos últimos doze meses reforçando a resiliência da empresa".

TAP reduz fatura com combustível, mas espera impactos nos próximos meses e admite aumentar preços dos bilhetes

Do lado dos custos operacionais, a fatura de gastos da companhia aumentou ligeiramente para os 950,5 milhões de euros (+0,8%). A despesa com pessoal foi a que mais pesou nas contas, somando 252,4 milhões de euros. A subida de 8,8% nesta rubrica é justificada pela contratação de mais trabalhadores "para fazer face ao aumento da atividade" e pelos "aumentos salariais acordados nos acordos coletivos de trabalho".

No final do primeiro trimestre a TAP contava com um quadro de pessoal de 9.986 trabalhadores, mais 310 face ao mesmo período de 2025.

A transportadora aérea sublinha ainda o aumento dos custos dos materiais consumidos (+66,7%), "refletindo maioritariamente o aumento do preço dos materiais aplicados em serviços externos de manutenção" bem como o impacto de cinco milhões de euros associado à inclusão da Cateringpor no perímetro de consolidação a partir de abril de 2025.

"Estes impactos foram parcialmente mitigados pela redução dos custos com combustível (-16,1%), resultante, sobretudo, de ganhos de hedging, bem como pela redução dos custos operacionais de tráfego (-6,2%), maioritariamente associada à eliminação dos custos com catering na sequência da consolidação da Cateringpor", explica na nota.

A seguir aos salários, os custos com combustível foram os que assumiram maior expressão na fileira dos gastos totalizando 196,2 milhões de euros. Ainda assim, a TAP conseguiu reduzir a fatura com o jet fuel neste trimestre assumindo uma poupança de 37,8 milhões de euros devido à política de cobertura de combustível, esperando, contudo, um impacto do aumento dos preços nos próximos meses.

"Num contexto de preços de combustível significativamente mais elevados, o impacto no primeiro trimestre foi limitado, refletindo o habitual desfasamento na revisão de preços, sendo expetável que os efeitos do aumento dos preços de combustível virão a pressionar os próximos trimestres, mantendo‑nos focados na sua mitigação através de uma gestão disciplinada da capacidade, controlo rigoroso de custos e gestão ativa da receita", assume Luís Rodrigues no comunicado de resultados.

Para fazer face aos aumentos, a companhia explica que irá combinar medidas ao nível da receita e dos custos, admitindo aplicar "ajustamentos de pricing alinhados com as tendências de mercado e uma execução disciplinada em termos de custos", ou seja, subir o preço dos bilhetes de avião para compensar a pressão dos custos com os combustíveis.

A companhia tem um rácio de cobertura de combustível de 47% para este ano. "Uma parte significativa da carteira de cobertura está estruturada com estratégias baseadas em opções, evitando um bloqueio total dos preços e permitindo beneficiar de eventuais quedas no preço do combustível de aviação. A estratégia de hedging da TAP baseia-se na cobertura direta do combustível de aviação, em vez de recorrer a referências indiretas, como o petróleo bruto ou outros produtos refinados, permitindo uma mitigação de risco mais precisa e eficaz do que a normalmente observada no setor", enquadra a empresa na apresentação sobre os resultados trimestrais.

Companhia aguarda autorizações para concluir vendas da Cateringpor e do handling

Já sobre a venda Cateringpor e da SPdH (Serviços Portugueses de Handling), a TAP esclarece que as operações estão em curso, encontrando-se a companhia a aguardar as autorizações para dar os negócios como concluídos.

Recorde-se que no início deste ano, a pedido do Governo português, Bruxelas tinha prorrogado os prazos para a TAP proceder à venda dos dois ativos, que ficaram fora do perímetro da privatização, uma vez que as alienações não foram concretizadas até à data de conclusão do plano de reestruturação aprovado pela Comissão Europeia em 2021, que terminou a 31 de dezembro de 2025.

Em abril, a TAP acordou venda da sua participação de 51% na Cateringpor ao grupo suíço Gate Gourmet, que já era detentor da restante fatia da empresa. Já no início deste mês a companhia anunciou a venda da sua participação de 49,9% na SPdH à Menzies, antiga Groundforce.

Olhando para os próximos meses, a TAP frisa a "dinâmica das reservas" que se mantém "resiliente" e afiança aplicar medidas de mitigação para enfrentar a atual conjuntura marcada pela guerra no Irão.

"Face às disrupções em curso no Médio Oriente, a TAP mantém‑se resiliente, suportada por medidas ativas de mitigação, mantendo a flexibilidade necessária para adaptar rapidamente a sua operação em cenários de alteração de contexto", garante.

TAP reduz prejuízos para 39,9 milhões de euros no primeiro trimestre
Negócio da manutenção da TAP arrefece às portas da privatização
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