As férias de verão este ano irão sair mais caras a quem estiver a planear viajar de avião, devido à escalada dos preços dos combustíveis provocada pela guerra no Médio Oriente. O alerta é dado pelo CEO da Ryanair que antecipa um aumento das tarifas das passagens aéreas nos próximos meses. De forma a minimizar esta subida, Michael O’Leary apela a que os passageiros programem as viagens com maior antecedência. “Acreditamos que os preços do combustível permanecerão elevados no curto prazo e, por isso, encorajamos todos os passageiros que estejam a pensar viajar este verão a reservar cedo e rapidamente, porque pensamos que os preços vão subir ao longo do verão”, disse esta segunda-feira, 18. O presidente executivo da companhia irlandesa, que falava na conference call de apresentação dos resultados anuais aos investidores, garantiu que apesar da pressão do preço do petróleo, não perspetiva uma redução do número de voos.Desde o início da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel ao regime iraniano, que levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, que o setor da aviação tem estado em alerta com a subida dos preços do petróleo. O preço do querosene, o combustível utilizado na aviação - e que representa, em média, 30% da fatura dos custos operacionais das companhias aéreas-, duplicou nos últimos dois meses atingindo máximos históricos o que levou várias transportadoras, numa primeira fase, a refletir este incremento nos bilhetes de avião através da subida das tarifas e da aplicação de taxas adicionais.Contudo, o decréscimo da procura tem originado uma inversão do cenário nas últimas semanas. É exatamente isso que retrata uma análise recente do Financial Times que conclui que os preços dos bilhetes de avião caíram, no mínimo, 10% em 15 rotas analisadas. O’Leary confirma o quadro, justificando que o consumo tem sido impactado pelas nuvens no horizonte. “Os preços nas últimas semanas aliviaram ligeiramente em resposta à incerteza económica causada pelos preços mais altos do petróleo. Tem havido alguma cobertura mediática sobre receios de escassez de combustível e risco de inflação afetar negativamente o consumo”, apontou. Ainda assim, a procura, revela, “permanece robusta” para a época alta, embora as reservas de última hora estejam a assumir um maior peso, com os passageiros a comprar “muito próximo da data de viagem”, o que tem beliscado a margem de previsibilidade da companhia.O CEO mostra-se tranquilo com a política de hedging da companhia para os próximos meses, que visa uma cobertura de 80% do combustível até março de 2027, a um preço de 67 dólares por barril - valor inferior ao contratado no ano fiscal anterior. “Isto irá permitir proteger a maior parte dos nossos resultados nos próximos 12 meses, num mercado petrolífero muito volátil e aumentará a nossa vantagem de custos face aos concorrentes europeus”, assegura.O presidente executivo da Ryanair rejeita eventuais constrangimentos na cadeia de fornecimento de jet fuel , defendendo que a Europa continua “relativamente bem abastecida” essencialmente pela África Ocidental, Américas e Noruega. “Não acreditamos, e os nossos fornecedores confirmaram-no, que haja qualquer interrupção no abastecimento de combustível de aviação na Europa até ao final de junho ou meados de julho, e esperamos que isso continue”, vinca.Não obstante da folga provocada pelo hedging, a restante fatia de 20% do combustível que não está coberta, e portanto, encontra-se sujeita aos preços atuais do mercado, duplicou para os 140 dólares por barril. “Se os preços permanecerem nesses níveis elevados durante o resto do ano, isso terá impacto nos nossos resultados”, admite.A Ryanair reportou esta segunda-feira lucros de 2,3 mil milhões de euros no exercício fiscal terminado a 31 de março, o que representa um salto de 40%. A melhoria dos resultados fez-se à boleia, sobretudo, do crescimento do tráfego e de um aumento de 10% nas tarifas praticadas.O agravamento dos conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia, os riscos de escassez de combustível, os preços elevados do jet fuel aliados aos choques macroeconómicos e a “greves ou má gestão do controlo aéreo europeu” não permitem, para já, à companhia traçar uma perspetiva de resultados para o ano fiscal de 2027. “O resultado final dependerá totalmente das reservas de última hora e tarifas no pico do verão de 2026. Sem visibilidade para o segundo semestre e com forte volatilidade nos preços e abastecimento de combustível, é demasiado cedo para fornecer orientações significativas sobre os lucros do ano fiscal de 2027”, acrescenta o CEO da empresa com sede em Dublin..Ryanair regista subida de 40% nos lucros para 2,3 mil milhões