"Persistem vulnerabilidades relevantes no sector público, nas empresas e nas famílias" no atual "contexto adverso" financeiro e económico que se vive a nível mundial, avisa o Banco de Portugal (BdP), na primeira edição semestral do Relatório de Estabilidade Financeira para 2026, publicado esta quarta-feira, 27 de maio.De acordo com o banco central governado por Álvaro Santos Pereira, "os riscos para a estabilidade financeira acentuaram-se recentemente, refletindo o agravamento das tensões geopolíticas e a possibilidade de uma correção súbita e desordenada nos mercados financeiros, com impacto na economia real"."O aumento da incerteza e a diminuição da confiança dos agentes económicos influenciam as condições de financiamento, as decisões de consumo e investimento e, consequentemente, a evolução dos preços e o crescimento económico" e no caso de Portugal "este quadro foi agravado, no início de 2026, pela ocorrência de um choque climático extremo em algumas regiões, que evidenciou a crescente importância dos riscos climáticos e da natureza".O BdP avisa que "o contexto atual é favorável à materialização simultânea de choques de naturezas macroeconómica, financeira, geopolítica e climática".Para o regulador, "trata-se de um fator de risco particularmente relevante para o sistema financeiro nacional, dada a potencial amplificação dos efeitos desses choques", sublinhando que "uma correção dos preços no mercado imobiliário residencial continua a representar um risco importante para o sistema financeiro em Portugal".Famílias, empresas, sector público e banca estão todos sob pressão acrescidaRelativamente às grandes vulnerabilidades sectoriais da economia, a autoridade monetária nacional elabora sobre os quatro grandes sectores institucionais.No sector público, "existem pressões sobre a despesa, ainda que a posição orçamental tenha melhorado continuamente na última década".Nas empresas, "alguns sectores estão mais expostos a choques externos — tensões comerciais, custo de energia e de outras matérias-primas — e climáticos".Nas famílias, "a recente redução da taxa de poupança e a inversão da trajetória do rácio de endividamento, impulsionada pelo dinamismo do crédito à habitação, aumentam a vulnerabilidade, em particular das mais expostas a alterações de taxa de juro".Sobre o perigo subjacente que deriva da situação crise na habitação, esse é cada vez mais ameaçador para as famílias e, ato contínuo, para o sistema financeiro e a economia como um todo."A escassez de oferta pressiona os preços da habitação, num momento em que a procura permanece robusta, impulsionada por medidas governamentais e pela participação significativa de compradores estrangeiros" pelo que "uma deterioração das condições económicas e financeiras poderá conduzir a ajustamentos negativos neste mercado".Para os bancos, pelos quais o BdP tenta zelar, neste quadro de "elevada incerteza", o regulador refere que, até final de 2026, início deste ano, o sistema bancário português "manteve-se resiliente, com níveis historicamente elevados de rendibilidade, capital e liquidez, que lhe conferem alguma margem para absorver choques no curto prazo"."Contudo, o prolongamento e o agravamento das tensões geopolíticas, com impactos adversos nos mercados financeiros e no setor imobiliário, poderão degradar a situação financeira das empresas e das famílias, com repercussões também no sector bancário", avisa o banco central.Em cima de tudo isto, e não menos importante, o novo estudo sobre os riscos de estabilidade financeira indica que Portugal, como todos os outros países, enfrenta "riscos operacionais e de cibersegurança, cada vez mais relevantes" num contexto de "rápido desenvolvimento de novas tecnologias de escala, como a inteligência artificial".O BdP adverte para possíveis "incidentes" de "risco cibernético sistémico" que "podem afetar a confiança no sistema financeiro e amplificar efeitos adversos, tornando essenciais o reforço da resiliência operacional e a implementação do Regulamento DORA [sigla em inglês para o conjunto de normas europeias para a Resiliência Operacional Digital do Sector Financeiro]".Finalmente, o BdP diz que "os riscos climáticos físicos e de transição também ganharam maior relevo, dada a sua crescente materialização".(atualizado às 13h15).FMI pede a governos que estudem já fim de apoios aos combustíveis porque este choque pode não ser temporário