Meios de transporte públicos dependentes de eletricidade tiveram de parar no dia do apagão. Lisboa, 28 de abril de 2025
Meios de transporte públicos dependentes de eletricidade tiveram de parar no dia do apagão. Lisboa, 28 de abril de 2025Foto: Reinaldo Rodrigues

Regulador espanhol culpa Red Eléctrica pelo apagão de 2025 e abre caminho a sanções milionárias

Supervisor de concorrência admite risco grave para o sistema elétrico com multa até 60 milhões. Portugal prepara "fatura" de indemnizações por danos na rede nacional.
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A Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC) de Espanha — o regulador que supervisiona o setor energético — deu esta sexta-feira (17 de abril) um importante passo no apuramento de responsabilidades pelo "apagão" que paralisou a Península Ibérica a 28 de abril de 2025.

O organismo abriu um conjunto de 20 processos sancionadores, apontando o dedo à Red Eléctrica (REE) pela infração mais grave detetada até agora.

Segundo o relatório do regulador espanhol divulgado esta sexta-feira e noticiado pelos media espanhóis, a Red Eléctrica, na qualidade de operadora do sistema, cometeu uma infração classificada como "muito grave". Estão em causa falhas críticas na gestão dos serviços de ajuste e erros de programação que colocaram em risco a segurança do abastecimento. Por este motivo, a empresa enfrenta agora uma coima que pode atingir os 60 milhões de euros.

Mas a REE não está sozinha no banco dos réus. O supervisor avançou também com investigações contra gigantes como a Iberdrola, Endesa, Naturgy e Repsol. Nestes casos, as infrações são consideradas menos graves e dizem respeito a incumprimentos técnicos em centrais de ciclo combinado e nucleares, que não terão respondido adequadamente durante a crise.

Portugal prepara ofensiva jurídica por prejuízos de 2.000 milhões

A decisão anunciada em Madrid será o "balão de oxigénio" que o Governo português e os grandes grupos industriais nacionais aguardavam. Embora as notícias deste dia se foquem nas multas administrativas em Espanha, o contexto dos dias anteriores em Portugal já indicava uma rota de colisão transfronteiriça.

Há dois dias, fontes do Executivo português confirmaram que o país considera a responsabilidade de Espanha como "inequívoca". Com a admissão oficial de negligência "muito grave" por parte do regulador, Portugal ganha agora a base jurídica necessária para fundamentar pedidos de indemnização civil.

O regulador português, a ERSE, já tinha concluído que a instabilidade na rede nacional foi provocada por um "efeito de contágio" vindo de centrais solares espanholas mal programadas. A Associação Industrial Portuguesa (AIP) estima que as empresas nacionais perderam cerca de 2000 milhões de euros em apenas 24 horas de apagão, devido a paragens de produção e danos em equipamentos sensíveis e o Governo português estará a ponderar exigir a criação de um fundo de compensação ibérico, utilizando as multas agora aplicadas pelo regulador espanhol para ressarcir os danos causados na rede gerida pela REN e E-Redes.

O processo administrativo em Espanha deverá durar entre 9 a 18 meses, mas a batalha jurídica pelas indemnizações em Portugal promete começar muito antes, com este novo trunfo legal nas mãos das autoridades portuguesas.

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