"A economia europeia tem a capacidade e a resiliência para absorver choques temporários, devemos estar preparados para um período de instabilidade mais prolongado, com potenciais perturbações no transporte marítimo, aumentos dos preços da energia e implicações para a inflação", avisou Kyriakos Pierrakakis, o atual presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças da Grécia.Ao início da noite de segunda-feira, 9 de março, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do conselho europeu informal dos ministros das Finanças da Zona Euro, Pierrakakis relativizou também a ideia de que os países do euro estão hoje muito menos dependentes do petróleo e do gás e que, por isso, a crise pode doer menos.O grego colocou a questão de outra forma: "A energia está no centro das nossas atenções. A instabilidade no Médio Oriente e a guerra em curso na Ucrânia recordam-nos a vulnerabilidade dos mercados energéticos e a exposição das nossas economias a choques externos", avisou.A referência direta e sonante às "implicações para a inflação" significa que o aumento dos preços pode descarrilar face à atual "boa posição" várias vezes apregoada pela presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde.A inflação da zona euro estava estabilizada em 2%, mas a partir de agora, pode subir e muito, o que dará argumentos de sobra ao BCE para voltar a subir taxas de juro em 2026 (hoje a taxa diretora principal está em 2%), levando a um novo aperto para famílias, empresas e governos, sobretudo os mais endividados, como ainda é o caso de Portugal."A situação no Médio Oriente é profundamente preocupante. Para além da crise económica, assistimos a uma situação trágica com amplas repercussões geopolíticas", começou por resumir o presidente do Eurogrupo, que hoje conta com 20 países (a Bulgária aderiu e tem o euro a circular desde 1 de janeiro deste ano).Para o economista grego, "estamos a observar uma pressão ascendente sobre os preços da energia e discutimos os tipos de medidas que os Estados-Membros estão a considerar, bem como a necessidade de manter a coordenação das ações, monitorizando a situação no terreno. Isto é fundamental para a proteção dos nossos cidadãos e das nossas empresas".Mas, continuou a situação é mesmo grave. "Já enfrentámos interrupções no fornecimento de energia importada e certamente não será a última vez", ao passo que "as redes energéticas e a nossa arquitetura energética em geral são construídas em horizontes temporais mais longos e exigem uma visão estratégica clara, bem como um quadro político e regulamentar estável e fiável".Assim, os países do Eurogrupo concordaram em "acelerar a transição energética, desenvolver e interligar ainda mais as redes energéticas europeias, garantir mercados integrados e que funcionem bem e apoiar o investimento em infraestruturas, eficiência e segurança energéticas"."A Europa não pode permanecer num modo constante de gestão de crises. A estratégia europeia deve ir além das crises do momento. Temos esta dualidade na natureza da nossa abordagem, porque, por um lado, procuramos resolver as questões pendentes do passado e, por outro, queremos responder à crise emergente e aos desafios que se avizinham", concluiu o alto-responsável europeu, a partir de Bruxelas..Miranda Sarmento: "Não podemos excluir uma situação de défice orçamental" em 2026.Défice? Sarmento tranquiliza colegas do Eurogrupo e diz que contas certas são para manter.Ministro das Finanças: Libertar reservas de petróleo "limitadas" só dará alívio de preços "temporário" e curto