Kyriakos Pierrakakis (atual presidente do Eurogrupo e ministro grego), Joaquim Miranda Sarmento (ministro das Finanças português) e Carlos Cuerpo (ministro da Economia espanhol). Bruxelas, 9 de março de 2026.
Kyriakos Pierrakakis (atual presidente do Eurogrupo e ministro grego), Joaquim Miranda Sarmento (ministro das Finanças português) e Carlos Cuerpo (ministro da Economia espanhol). Bruxelas, 9 de março de 2026.Foto: EPA / OLIVIER HOSLET

Ministro das Finanças: Libertar reservas de petróleo "limitadas" só dará alívio de preços "temporário" e curto

Ministro diz no Eurogrupo que plano para usar reservas de crude ou gás para tentar aliviar preços tem efeitos apenas limitados e temporários. Não resolvem o problema.
Publicado a
Atualizado a

A libertação de reservas estratégicas de petróleo e/ou gás por parte de vários países, designadamente os do G7 (alguns dos sete maiores do mundo), é uma medida que, a ser aplicada, teria apenas "um efeito temporário", sendo que "as reservas servem para situações de emergência em que haja cortes no abastecimento", em que de repente, "não havia abastecimento de petróleo nem de gasóleo", considera o ministro das Finanças português.

O ministro Joaquim Miranda Sarmento sublinhou ainda que, no caso de Portugal, as reservas existentes dão apenas para cerca de 90 dias, no caso do petróleo. A REN diz que as reserva de gás do país dão para 93 dias.

Ou seja, se o país viesse a libertar petróleo ou gás para dar uma ajuda no plano internacional do género, que está em estudo, para debelar os preços, Portugal ficaria muito mais vulnerável ou próximo de uma situação de rutura se, por exemplo, a guerra do e contra o Irão não terminar a breve trecho.

Em declarações à entrada da reunião do Eurogrupo (o conselho europeu informal que reúne os ministros das Finanças da Zona Euro), Joaquim Miranda Sarmento comentou os resultados que vão sendo conhecidos dessa reunião, que decorreu esta segunda-feira, quando o preço do petróleo chegou quase aos 120 dólares por barril, gerando já pânico nos mercados e entre os políticos.

Os ministros das Finanças do G7 (sete grandes economias do mundo – Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, embora a União Europeia também tenha assento) estavam a tentar chegar a um acordo para libertar e por no mercado parte das suas reservas estratégicas.

“Vamos acompanhar a situação de perto, estamos prontos para tomar todas as medidas necessárias, incluindo recorrer às reservas estratégicas de petróleo para estabilizar o mercado”, mas “ainda não chegámos a esse ponto”, disse aos jornalistas o ministro das Finanças e da Economia francês, Roland Lescure, citado pela Lusa.

Entretanto, a Reuters avançou que nessa reunião acabou por haver "um amplo consenso entre os ministros das Finanças do G7 na segunda-feira para não libertar as reservas estratégicas de petróleo, por enquanto".

Os governante disseram em comunicado que estavam prontos para tomar as "medidas necessárias" para apoiar o fornecimento global de energia, incluindo a libertação dos stocks, mas afinal, decidiram não avançar já.

"Não é que alguém estivesse contra, é apenas uma questão do momento em que deve ser feito. São necessárias mais análises", disse o responsável à Reuters.

Segundo a agência, os ministros da Energia do G7 realizarão uma teleconferência sobre o mesmo assunto esta terça-feira e os líderes do G7 (presidentes e primeiros-ministros) ainda esta semana, disse a mesma fonte. "Na minha opinião, a decisão final será dos líderes", concluiu o alto funcionário.

Miranda Sarmento pouco confiante; reserva de Portugal dá para 90 dias

"Isso pode ter algum efeito nos preços, mas também as reservas são limitadas. Creio que Portugal tem uma reserva para cerca de 90 dias, estou a falar de cor, a minha colega do Ambiente e da Energia [Maria Graça Carvalho] terá seguramente dados mais fiáveis", comentou o ministro das Finanças.

Mas para Miranda Sarmento, a libertação de reservas no mercado para tentar arrefecer os preços da energia "pode dar aqui uma pequena margem no curto prazo, mas não podemos descurar aquilo que é o objetivo dessas reservas, que é exatamente para usar numa situação de corte de abastecimento, para os países terem capacidade para ir mantendo alguns serviços".

(em atualização)

Kyriakos Pierrakakis (atual presidente do Eurogrupo e ministro grego), Joaquim Miranda Sarmento (ministro das Finanças português) e Carlos Cuerpo (ministro da Economia espanhol). Bruxelas, 9 de março de 2026.
Miranda Sarmento: "Não podemos excluir uma situação de défice orçamental" em 2026

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt