"Não podemos excluir situações de défice" este ano, disse o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, em Bruxelas, antes de entrar para a reunião do Eurogrupo (o conselho europeu informal que reúne os ministros das Finanças da Zona Euro).Os jornalistas correspondentes questionaram o ministro sobre a forma como o governo interpreta e pretende reagir aos impactos desta nova crise, agora espoletada pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irão.O conflito, que começou no passado dia 28 de fevereiro, fez disparar o preço do petróleo, que nesta segunda-feira já tocou nos 119,5 dólares, aliviando depois para a fronteira dos 100 dólares por barril (contrato Brent para entrega em maio) a meio da tarde.A queda abrupta da cotação de quase 120 para cerca de 100 dólares terá sido reflexo de informações de que os países do G7 (os sete maiores do mundo – Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, embora a União Europeia também tenha assento) estavam a tentar chegar a um acordo para libertar e por no mercado parte das suas reservas estratégicas.No entanto, há sinais de que o acordo está difícil de obter ou que o momento certo não será agora, segundo fontes diplomáticas francesas citadas pela Reuters. Com este cenário, o petróleo pouco aliviará. Pelo contrário.Seja como for, mesmo com o petróleo nos 90 ou 100 dólares, as contas para Portugal mudam de figura. O Orçamento do Estado para este ano (OE 2026) está assente numa hipótese de preço médio do petróleo de 65,4 dólares por barril em 2026 (100 dólares fica mais de 50% acima dessa hipótese).Sarmento e o governo liderado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, já referiram, várias vezes, que as contas públicas de 2025 devem ter terminado com um excedente orçamental ligeiramente superior aos previstos 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB).O Orçamento do Estado para este ano (OE 2026) tem como meta um excedente de 0,1% do PIB.Ministro: "o caminho voltou a ficar bastante estreito"Mas, desde o comboio de tempestades que assolou o país (sobretudo a região Centro), e agora a guerra do Irão, levou os políticos a esmorecerem no domínio da disciplina orçamental.Sarmento, que na altura das tempestades, dizia, contrariando até o seu colega da Economia, Manuel Castro Almeida, que Portugal iria na mesma tem as contas equilibradas, hoje surge mais recuado nessa proposição. Esta segunda, disse que "continuamos comprometidos com o equilíbrio das contas públicas, a redução da dívida pública”, “os bons resultados de 2025, permitiam que olhássemos para 2026 como sendo um caminho um bocadinho menos estreito, mas agora, com o comboio de tempestades e este conflito, o caminho voltou a ficar bastante estreito”.Relativamente a estas reuniões do Eurogrupo e do Ecofin (conselho europeu de Economia e Finanças, esta terça), Sarmento diz que ambas serão naturalmente "muito marcadas pela situação que se vive no Médio Oriente e pelo conflito no Irão"."Sobre isso, creio que é importante, em primeiro lugar, estabelecer que as consequências económicas e financeiras deste conflito dependerão sobretudo da duração e da extensão do conflito. Quanto mais tempo ele durar e quanto mais se estender a outros países da região, maiores impactos no fornecimento de petróleo e gás natural", pois "parte substancial do consumo mundial vem exatamente destes países, não só do Irão como dos países à volta, Arábia Saudita, Iraque, entre, entre outros". "Se o conflito perdurar no tempo e na extensão, há naturalmente motivos de preocupação", referiu o ministro português.(atualizado 16h35)