Perspetiva-se um aumento de produção na época 2025/26.
Perspetiva-se um aumento de produção na época 2025/26. CARL DE SOUZA/AFP

Preço do cacau cai por excesso de produção e menor procura

Para já, a queda do preço do cacau não se irá refletir no custo do chocolate nas lojas. Mas os fabricantes terão de olhar para o consumidor, de forma a inverter a retração no consumo.
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O preço do cacau está em queda, impulsionado por expetativas de excedente de oferta na campanha 2025/26 e uma menor procura. Uma descida que será aplaudida pelos apreciadores de chocolate, mas que não se irá repercutir no imediato no preço ao consumidor.

"As perspetivas de produção significativamente melhoradas (em grande parte graças ao clima mais favorável na África Ocidental, incluindo a Costa do Marfim e o Gana), o aumento da produção na América do Sul e, acima de tudo, a fraca procura por parte dos fabricantes estão a empurrar os preços para baixo", diz a análise da corretora XTB ao mercado do cacau.

Como realça o documento, "após uma queda de quase 50% em 2025, a reversão da tendência de alta anterior acelerou no início de 2026". Para a época 2025/26, "as previsões apontam para um excedente de 175 000 a 250 000 toneladas (ou mais), graças à melhoria das condições de cultivo na África Ocidental e à recuperação da produção na América do Sul".

São boas notícias para os apreciadores de chocolate, depois do forte aumento do preço do cacau verificado em 2024 e que ainda se reflete no preço dos produtos no mercado. Na Europa, o custo elevado desta matéria-prima conduziu a uma quebra no processamento de 8,3% e de 4,8% na Ásia em 2025, face ao ano anterior. Na América do Norte, manteve-se estável, com um crescimento de 0,3%.

O aumento verificado no preço do cacau originou uma retração no consumo e o desvio dos consumidores por alternativas mais económicas.

Este quadro, coloca os produtores de chocolate numa situação delicada. Como explica a XTB, "os preços mais baixos do cacau poderiam ajudar nas margens, mas alguns custos ainda estão “bloqueados” por contratos futuros assinados durante o pico dos preços". Já os consumidores "não estão dispostos a continuar a pagar preços tão elevados".

Como diz a análise, os fabricantes ainda estão a moer grãos comprados na alta de preço, razão que levou ao aumento do custo do chocolate, a reduções no tamanho dos produtos e mesmo à troca de manteiga de cacau por gorduras vegetais mais baratas ou açúcar, para proteger a rentabilidade.

Para a corretora, "parece provável que o chocolate ficará mais barato, se as condições favoráveis de produção persistirem". A verificar-se esta tendência, "os preços irão precisar de se ajustar à procura para estimular novamente o consumo, mantendo o processamento economicamente viável".

As ações de empresas como Hershey (detém marcas como a Reese's ou Kit Kat), Mondelez (dona da Oreo, Milka, Toblerone, entre outras) e Barry Callebaut (grupo suíço-belga que processa cacau e opera na área dos chocolates premium) têm dado sinais de estabilização, acompanhando a quebra do preço do cacau.

Esta sexta-feira (23 de janeiro), os futuros do cacau (COCOA) na bolsa ICE dos EUA caíram mais de 7%.

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