A juíza Helena Susano procurou ontem, no segundo dia do julgamento do caso BES, acabar com as insinuações dos advogados de defesa de diferentes arguidos sobre ter sido detentora de 560 títulos do Banco Espírito Santos (BES)..Ao final da manhã, quando decorria ainda o período para as declarações introdutórias dos advogados de defesa dos arguidos que, que por falta de tempo, não falaram na terça-feira, Tiago Rodrigues Bastos, advogado mandatário dos arguidos Etienne Cadosch, Michel Creton e do Eurofin, lembrou que a presidente do coletivo de juízes chegou a deter ações do BES, considerando-a por isso lesada..Perante a acusação do advogado, a magistrada reagiu com ironia: “É a segunda vez que falam aqui do pedido de escusa que fiz [...] Valeria a pena ver quanto valiam as 500 e poucas ações que tinha no BES, à data. Verá que se passar pela Avenida da Liberdade, nem dá para tentar comprar uma mala”..Helena Susano fez questão de relembrar que pedira escusa de presidir ao julgamento, tendo a própria alertado no requerimento feito que havia o risco deste facto “gerar desconfiança sobre a sua imparcialidade”. Contudo, o Tribunal da Relação de Lisboa (TRL) rejeitou o pedido por considerar que tal não seria motivo suficiente para colocar em causa a imparcialidade da magistrada..Na terça-feira, nas declarações introdutórias da defesa de Ricardo Salgado, já o advogado Adriano Squilacce tinha acusado a juíza de ser “uma lesada do BES”. A juíza que preside ao julgamento, aquando do colapso do BES, detinha 560 ações. Em agosto de 2014, na última sessão bolsista em que as ações do banco foram admitidas à negociação, cada título valia 12 cêntimos, pelo que o número de ações da juíza valeriam cerca de 67 euros..Perante aquela resposta, o advogado Tiago Rodrigues Bastos respondeu que não conhecia a decisão do TRL, pois não tinha sido notificado da mesma. A juíza asseverou que a decisão era pública, mas, ainda assim, iria pedir para que fosse entregue aos advogados dos arguidos a resposta do TRL ao pedido de escusa..Tiago Rodrigues Bastos, nas alegações introdutórias, disse que um jornalista afirmou na televisão estar “em contacto” com o tribunal e que tinha a informação de que o julgamento não demoraria “mais do que quatro anos”. Helena Susano garantiu que o coletivo cumpre o seu dever de reserva.