Famílias pouparam mais 302 milhões de euros em 2025. Inflação levou o esforço
As famílias portuguesas pouparam 26,4 mil milhões de euros no ano passado, um aumento de 302 milhões de euros face a 2024 (ou 1,2%), mas, descontando o efeito da inflação, verificou-se uma diminuição de 1%. A taxa de poupança das famílias também apresenta sinais pouco favoráveis. Em 2025, atingiu 12,3% do rendimento bruto, uma evolução negativa face aos 12,5% registados no ano anterior.
Estes indicadores surgem do estudo Poupança, despesas e dívidas: para onde vai o dinheiro das famílias, da responsabilidade da Fundação Francisco Manuel dos Santos, elaborado para o Dia Mundial da Poupança, que se assinala este sábado, 31 de outubro.
A análise, que se apoiou na base estatística Pordata, revela que quase metade das 4,5 milhões de famílias residentes em Portugal (42%) tinham algum tipo de dívida em 2024.
A hipoteca da casa era a dívida mais frequente, abrangendo quase uma em cada quatro famílias (24,7%). Seguiam-se os empréstimos sem garantia imobiliária, contraídos por cerca de uma em cada cinco famílias (18,7%), e as dívidas de cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários, que afetavam um em cada dez agregados (10,3%).
Os pagamentos de dívidas representavam, em 2024, pelo menos 15% do rendimento líquido anual para metade dessas famílias. O esforço financeiro era mais acentuado entre os agregados cujo indivíduo de referência tinha entre 35 e 44 anos, atingia 17%.
Entre as famílias com idades entre os 35 e os 44 anos, metade respondia por uma dívida equivalente a pelo menos 181% do rendimento anual. Já entre os agregados endividados com 75 ou mais anos, metade tinha uma dívida que não ultrapassava 16% do rendimento líquido anual. Esta discrepância, deve-se aos empréstimos para compra de casa que, nas idades mais avançadas, já foram liquidados.
Em 2024, um em cada cinco contribuintes declarou rendimentos anuais até 7000 euros, depois de descontado o IRS pago. É um valor equivalente a 625 euros por mês, 24% abaixo do salário mínimo nacional desse ano (870 euros brutos). Este limiar aumentou 12% em termos reais desde 2020.
No extremo oposto, um em cada cinco contribuintes teve um rendimento bruto anual superior a 20.712 euros, ou 1726 euros por mês, após dedução do IRS. Este limiar subiu 9% em valor real face a 2020.
A riqueza média das 4,5 milhões de famílias era de 278,3 mil euros em 2025, mais 21% em termo reais do que em 2020. A mediana situava-se nos 143,3 mil euros, ou seja, metade dos agregados tinha um património líquido igual ou inferior a esse valor.
A casa era um dos principais componentes desse património. Em 2024, representava mais de 30% da riqueza em todos os estratos, chegando aos 77% nas famílias situadas no estrato intermédio. Como explica o estudo, este indicador reflete a valorização do mercado imobiliário, que aumentou o valor patrimonial das casas. "Não significa maior liquidez ou facilidade de acesso à habitação, sobretudo para quem ainda vive em casa dos pais e não dispõe de habitação própria", diz.
Os veículos motorizados representam 33% do património das famílias com menor riqueza e 13% os depósitos à ordem. Entre as mais ricas, os outros bens imóveis representam 36% da riqueza e os negócios por conta própria contribuem com 20%.
O Inquérito às Despesas das Famílias de 2022/2023 revelou que cada família gastava, em média, 23.900 euros por ano. A habitação (incluindo despesas associadas) representava cerca de 39% da despesa total, seguindo-se a alimentação, com quase 13%, e os transportes, com cerca de 12%. Estas três categorias absorviam mais de 64% dos gastos familiares.
O estudo revela que o peso das despesas essenciais era maior entre as famílias com menores despesas, em que a habitação representava quase 42% do orçamento e a alimentação quase 16%. Nas famílias com maiores despesas, estes valores eram de cerca de 40% e 10%, respetivamente.

