Ben Smith, presidente executivo da Air France-KLM
Ben Smith, presidente executivo da Air France-KLM

CEO da Air France-KLM: “Saída da IAG é positiva para nós. Iremos apresentar uma proposta forte para a compra da TAP”

CEO do consórcio franco-neerlandês garante que a corrida à compra da TAP com apenas dois candidatos dá maior margem de manobra ao grupo. Benjamin Smith assegura que conflito no Médio Oriente não irá impactar proposta pela companhia portuguesa.
Publicado a

A Air France-KLM vê com bons olhos a desistência da IAG à compra da TAP. Para o consórcio franco-neerlandês a saída da espanhola dona da Iberia e da British Airways da corrida à privatização da companhia portuguesa é “positiva” e permite uma maior margem de manobra no processo.

“Passar de três concorrentes para apenas dois é positivo. A outra parte que está a concorrer [Lufthansa] está tão interessada como nós”, disse esta quinta-feira, 30, o CEO da Air France-KLM, Benjamin Smith.

Durante a call de apresentação dos resultados financeiros do primeiro trimestre do ano, o presidente executivo afiançou que a redução do número de proponentes à compra de uma participação de 44,9% da TAP não irá alterar a estratégia delineada pelo grupo.

“Vamos apresentar uma proposta positiva e forte, como pretendemos. A [desistência da IAG] não altera a proposta que vamos apresentar. Mas passar de três para dois [candidatos] é, definitivamente, positivo”, reiterou.

O grupo, que registou uma ligeira redução dos prejuízos nos primeiros três meses do ano, para os 287 milhões de euros, estima um aumento da fatura com o combustível este ano na ordem dos 2,4 mil milhões de dólares para os 9,3 mil milhões de dólares devido à guerra no Médio Oriente.

Benjamin Smith garantiu, contudo, que a atual situação geopolítica não irá impactar a proposta final que a Air France-KLM irá fazer ao Governo português.

"Neste momento não vemos nenhuma alteração quanto ao processo e à proposta a apresentar por causa do que está a acontecer no Golfo", sublinhou.

O Executivo deu luz verde à Air France-KLM e à Lufthansa, na semana passada, para passarem à próxima fase do processo de privatização da TAP, depois de a Parpública ter recomendado ao Executivo que convidasse as empresas a apresentarem propostas vinculativas.

Miguel Pinto Luz referiu, na altura, que as propostas dos grupos são "muito próximas" e alertou que o fator preço será decisivo para desempatar a corrida. "As duas propostas estão muito equivalentes a nível financeiro, o critério da valorização financeira será absolutamente central (...) Não é só a proposta financeira [que terá peso], mas tendo duas propostas muito próximas a avaliação financeira poderá a vir ter um papel muito preponderante", disse o ministro das Infraestruturas.

A Air France-KLM e a Lufthansa dispõem agora de 90 dias para realizarem diligências informativas e apresentarem as respetivas propostas.

Findo este período, a Parpública irá elaborar um novo relatório de apreciação que terá de ser entregue ao Governo num prazo de 30 dias, salvo se a gestora estatal solicitar a prorrogação ao Conselho de Ministros, de forma fundamentada.

Pinto Luz assegurou que o objetivo do Governo é concluir esta fase até julho e tomar uma decisão final final entre o "final de agosto e o início de setembro".

Ben Smith, presidente executivo da Air France-KLM
Air France-KLM tem prejuízo de 287 milhões entre janeiro a março e revê previsões do ano
Ben Smith, presidente executivo da Air France-KLM
Governo dá luz verde à Air France-KLM e à Lufthansa para a próxima fase da compra da TAP. Preço será "central" para desempatar corrida
Diário de Notícias
www.dn.pt