É de esperar uma subida dos preços do ouro, do petróleo e do dólar.
É de esperar uma subida dos preços do ouro, do petróleo e do dólar.Créditos: Tadawul (Bolsa de Valores da Arábia Saudita)

Ataque já esperado ao Irão pode atenuar efeitos nos mercados

EUA e Israel atacaram o Irão na sequência das negociações para um acordo sobre o seu programa nuclear. É de esperar uma subida dos preços do ouro, do petróleo e do dólar, dizem economistas.
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É um desenvolvimento "muito relevante" o ataque dos EUA e Israel ao Irão, este sábado, 28 de fevereiro, mas "não é uma surpresa, o que poderá atenuar alguns efeitos nos mercados", considera Filipe Garcia, economista da IMF - Informação de Mercados Financeiros. É de esperar, considera, uma subida dos preços do ouro, do petróleo e do dólar.

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O analista de mercado espera uma "queda relevante" na abertura das bolsas na segunda-feira, mas "sem crash". Filipe Garcia sublinha que a incerteza é um fator a ter em conta, uma vez que "nas guerras sabe-se como começam, não se sabe como acabam".

"O que se percebe para já é que não está a ser apenas um conflito entre os EUA e o Irão. Vários países do Médio Oriente estão envolvidos desde o início, nomeadamente Israel, Catar, Jordânia, Bahrain e os houtis vão atacar no Mar Vermelho", antecipa o economista.

Perceber se a navegabilidade vai continuar ou não será "crítico" na ótica de Filipe Garcia, uma vez que "o fecho do Estreito de Ormuz provocaria escassez em partes do mercado de petróleo. Eventuais problemas no Canal de Suez também poderiam provocar alterações de rotas e logística".

Outra consequência deste ataque, diz ainda, é prejudicar as perspetivas de cessar-fogo na Ucrânia, pois "a Rússia já mostrou desagrado e a China também não estará satisfeita".

Uma coisa é certa, sublinha Filipe Garcia sobre o impacto deste ataque na economia global: "Não é inesperado, mas não ajuda no imediato à confiança e pode ser grave se o conflito se alargar ou for longo. O Irão não é a Venezuela do ponto de vista militar e de influência na região".

Para o economista Luís Tavares Bravo, e do ponto de vista geopolítico, "o ataque dos Estados Unidos ao Irão desta manhã pode representar um ponto de rutura no equilíbrio geopolítico da região. Trata-se de uma escalada, que a prolongar-se no tempo ou tornando-se num conflito em larga escala que envolva botas no terreno tem potencial para desencadear reações em cadeia, não apenas no Médio Oriente, mas também envolvendo países como a China e a Rússia, que poderão ver neste conflito uma ameaça direta aos seus interesses estratégicos".

Num cenário extremo, sublinha o também presidente do Internacional Affairs Network, "a região, sempre muito condicionada historicamente por tensões sociais e geopolíticas, poderá mergulhar numa instabilidade ainda maior, com possíveis repercussões em alianças militares, rotas energéticas e no papel das organizações internacionais, que poderão revelar dificuldades em mediar ou conter a crise".

Quanto ao impacto económico, "dependerá em grande medida do peso relativo do Irão no mercado global de petróleo e da sua posição estratégica. Embora não seja o maior produtor mundial, o Irão detém reservas significativas e integra o grupo de países com capacidade relevante dentro da OPEP, o que lhe confere influência sobre a oferta global".

O risco é ampliado pela sua localização junto ao Estreito de Ormuz, "por onde passa uma parte substancial do petróleo transportado por via marítima", considera o economista. "Qualquer perturbação nesta rota pode afetar não só a oferta efetiva, mas também as expectativas dos mercados. É precisamente essa combinação entre produção relevante, controlo indireto de uma rota crítica e aumento da incerteza que tende a provocar reações nos mercados financeiros, como a subida dos preços do petróleo, maior volatilidade bolsista e movimentos de aversão ao risco por parte dos investidores".

Os preços continuarão instáveis até os investidores perceberem durante quanto tempo durará o conflito e até onde podem ir os Estados Unidos. "A extensão desta incerteza aos restantes mercados de risco dependerá depois do impacto que seja percecionado das falhas causadas na oferta sobre os custos energéticos e, consequentemente, sobre a economia global".

Pedro Lino, presidente da Optimize Investment Partners aponta que "as bolsas estão com indicação de queda entre 1 a 1,5%, mas o destaque vai para o petróleo que já chegou a estar a subir 10%, o ouro 2% e a Prata 3%, atuando estes últimos como ativo refúgio".

Para este economista, que é também conselheiro da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, "é de esperar que a Arábia Saudita anuncie um aumento da produção para estabilizar o preço do petróleo. Vamos ter uma semana volátil e maiores correções dependem da capacidade do Irão atacar Israel e as bases militares dos EUA na região".

Donald Trump ameaçou e cumpriu, lançando este sábado, 28 de fevereiro, em articulação com Israel, a Operação Fúria Épica contra o Irão. Teerão já retaliou com mísseis contra Israel e bases norte-americanas no Médio Oriente.

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