Alemanha e França enfrentam histórico declinio económico

Previsões de seis institutos alemães apontam para uma crise sem precedentes. PIB deverá cair até 10%. Banco de França avisa que o país está em recessão e o primeiro trimestre foi o pior desde 1945.

Alemanha e França, as duas maiores economias da UE, estão a preparar-se para uma recessão dolorosa, já que a pandemia de coronavírus reduziu a produção para os níveis mais baixos em décadas.

O produto interno bruto na Alemanha, potência de exportação, deverá diminuir em quase 10% no segundo trimestre, uma vez que as medidas destinadas a desacelerar o surto paralisam a economia global, disseram os principais institutos do país num relatório.

A queda do PIB no segundo trimestre deve ser duas vezes maior do que qualquer outra durante a crise financeira de 2008-2009 e marcará a queda mais acentuada desde que os registos dos institutos começaram em 1970.

"A pandemia desencadeará uma séria recessão na Alemanha", disseram os seis institutos, incluindo Ifo, DIW e RWI, estimando que a economia já contraiu 1,9% em relação ao ano anterior no primeiro trimestre.

Enquanto isso, a França já está em recessão técnica, afirmou o Banco da França.

Dados oficiais mostraram que a economia francesa encolheu 0,1 por cento no último trimestre de 2019, e o banco central estima que contraiu cerca de seis por cento nos primeiros três meses de 2020.

Uma recessão é definida como dois quartos consecutivos de contração económica.

Segundo o banco central, o desempenho da França no primeiro trimestre foi o pior desde 1945.

Cenário negro global

As previsões sombrias derrubam os anos de crescimento em dois dos países mais ricos da União Europeia.

"Após 10 anos de crescimento, sofreremos uma recessão este ano", disse o ministro da Economia alemão, Peter Altmaier.

Alertou que o ritmo da recuperação económica dependerá de quando as medidas para restringir os movimentos das pessoas "pela proteção da vida e da saúde" possam ser reduzidas.

Os dados franceses e alemães não foram uma surpresa, depois de organismos como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial soarem o alarme sobre a saúde da economia global.

O chefe da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevedo, disse na quarta-feira que a crise que se aproxima "pode muito bem ser a mais profunda recessão económica das nossas vidas".

A OMC espera que o comércio global caia até um terço em 2020, com a pandemia causando uma destruição sem precedentes na oferta e na procura.

"Os inevitáveis declínios no comércio e na produção terão consequências dolorosas para famílias e empresas, além do sofrimento humano causado pela própria doença", disse Azevedo.

Recuperação em 2021?

A França e a Alemanha uniram-se a países de todo o mundo, adotando medidas drásticas para conter a propagação do vírus, mantendo milhões de cidadãos em casa, fechando escolas e lojas e encerrando fábricas.

A cada duas semanas que o país esteja bloqueado pelo vírus, o Banco da França disse que espera que a economia encolha 1,5%.

A atividade económica francesa caiu 32% nas últimas duas semanas de março, com a intensificação da crise do coronavírus, acrescentou.

O governador do Banco da França, François Villeroy de Galhau, alertou que abril deve ser "pelo menos tão mau" como o final de março.

"O crescimento económico será fortemente negativo em 2020" antes de se recuperar em 2021, disse à rádio RTL.

O alemão Altmaier disse que está a preparar-se para a economia do país contrair cerca de cinco por cento este ano, o maior declínio desde 2009.

Os especialistas do relatório de terça-feira prognosticam uma contração de 4,2% para a Alemanha ao longo do ano.

Mas também parecem otimistas, dizendo que a Alemanha, com os seus enormes cofres estatais, está"bem posicionada" para lidar com a crise económica.

Para 2021, os institutos esperam que a Alemanha registe um crescimento de 5,8%.

Governos de toda a Europa prometeram vastos pacotes de resgate para amortecer o golpe do coronavírus para empresas e funcionários.

O programa de ajuda de 1,1 bilião de euros em Berlim é um dos mais ambiciosos anunciados até agora.

O pacote inclui garantias estatais para empréstimos a empresas, acesso mais fácil a benefícios para trabalhadores com horário reduzido e suporte direto às empresas mais atingidas.

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