Kikas surfa sozinho, de madrugada e focado nos Jogos Olímpicos

O surfista português procura as "praias que estejam desertas, em vez das melhores ondas", devido à pandemia do covid-19. O resto da preparação faz em casa.

Frederico Morais, surfista português que já está qualificado para os Jogos Olímpicos, procura praias desertas para surfar de madrugada, em vez das melhores ondas, com a esperança de que seja possível ultrapassar a pandemia da covid-19 e retomar a competição, sobretudo Tóquio 2020, "o acontecimento de uma vida". Regressou a Portugal na semana passada, depois de ter estado na Austrália, onde preparava o arranque do circuito mundial de surf (entretanto suspenso até maio), sem que o surto do coronavírus tivesse a dimensão atual.

"Eu estava a caminho da Austrália quando toda esta situação se começou a desenrolar e, obviamente, os cuidados não eram os que se estão a ter neste momento. Eu fiz toda a viagem de luvas e máscara para tentar minimizar o risco. À medida que estava na Austrália, toda esta situação se foi desenvolvendo muito rapidamente, o que na verdade me começou a assustar bastante, uma vez que eu estava muito longe de Portugal e comecei a prever que, caso necessitasse, o meu regresso poderia ser complicado", explicou, em declarações à agência Lusa.

Já em Portugal, Kikas faz os possíveis para continuar em forma, na medida em que lhe é possível face ao estado de emergência no país. "Tenho conseguido sair de casa apenas para surfar e sempre de madrugada, de preferência para uma praia onde não haja ninguém. Não é fácil quando o que estava habituado era escolher as melhores praias, onde pudesse treinar segundo os meus objetivos, mas, neste momento, e de forma a não comprometer os meus treinos por completo, esta é a única forma", sublinhou.

O resto da preparação é feita em casa, onde o surfista diz ter "o essencial", tentando manter-se focado "como se as provas estivessem a acontecer e, por isso, o foco e a determinação não podem ser abaladas".

"O meu trabalho depende destes treinos, falamos de um ano de Jogos Olímpicos e as etapas do circuito mundial podem regressar a qualquer momento. Assim, dentro destas restrições dou o meu melhor e completo com o treino físico em casa", frisou.

Na Austrália, Kikas aguardou pelo cancelamento da primeira etapa do circuito principal, ao qual está de regresso depois de vencer o circuito de qualificação, para regressar a Portugal, interrompendo a "maré" favorável da sua preparação e dos apoios dos patrocinadores. "A situação começou a ficar descontrolada em muitos países e a tomar outras proporções em Portugal, por isso, queria voltar para casa, para ao pé da minha família e garantir que todos estávamos bem e com os devidos cuidados", sublinhou.

Agora, com as restrições a criarem novas rotinas, Frederico Morais aponta ao futuro com otimismo: "Para ser sincero, eu quero acreditar que todos juntos iremos ultrapassar isto o mais rápido possível para então se conseguir dar a volta a este 2020".

"Adorava que fosse possível dar início tanto à temporada do circuito mundial, como aos Jogos Olímpicos, sei que irão ser tomadas as melhores decisões e as que acarretem menos riscos para todos. Não vou esconder que é obvio que gostava que realizassem os Jogos, é um acontecimento de uma vida para qualquer desportista mas, neste momento, é inquestionável que a prioridade é terminar com esta pandemia", salientou.

E, para Kikas, o momento de atuar é agora. "Sempre defendi que devemos ser persistentes e determinados e, por isso, tenho a certeza que quanto mais implacáveis formos agora, unidos, mais rapidamente a vida de todos voltará ao normal, as rotinas poderão ser repostas e a economia começar a recompor-se", concluiu.

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