Szymonek herói faz FC Porto tropeçar

Equipa de Sérgio Conceição empatou, esta noite, com o Desp. Aves (0-0), último classificado da I Liga. Zé Luís falhou grande penalidade num jogo em que o guardião avense defendeu tudo o que havia para defender. Benfica está agora a três pontos e um jogo a menos.

O FC Porto voltou a tropeçar. Desta vez, o líder do campeonato empatou em casa do último classificado, num jogo sem golos, ficando ao alcance do Benfica, que na quarta-feira joga em Vila do Conde com o Rio Ave. Foi mais uma exibição pouco convincente da equipa de Sérgio Conceição, que desperdiçou uma grande penalidade na primeira parte e viu o guarda-redes Szymonek tornar-se no herói improvável da partida da 27.ª jornada.

Em três jogos os dragões só venceram um. Desde que o futebol regressou aos relvados que os portistas mostram alguma instabilidade exibicional, que se tem refletido nos resultados. Depois de uma derrota em Famalicão (2-1) e uma vitória tangencial frente ao Marítimo (1-0), um empate a zero com o lanterna vermelha. Ao fim de 40 jogos a equipa portista ficou mesmo em branco frente à pior defesa do campeonato (51 golos sofridos).

Com muitas mudanças no onze - Tomás Esteves e Diogo Leite na defesa e Corona e Zé Luís na frente e Danilo e Marega no banco - os dragões entraram a meio gás e sem inspiração ofensiva. Só Corona parecia saber o que fazer com a bola depois de chegar à área. O mexicano que tem jogado a lateral e é o único marcador da equipa desde o regresso do futebol - marcou na derrota com o Famalicão (2-1) e na vitória sobre o Marítimo (1-0) - ficou a pedir uma grande penalidade aos 14 minutos, mas o árbitro mandou jogar. Carlos Xistra não viu razões para marcar grande penalidade nesse lance, mas descobriu uma falta de Szymonek que levou Zé Luís à marca de onze metros pouco depois. O cabo-verdiano falhou o penálti para desespero do banco portista.

Os avenses tinham a lição bem estudada. O clube têm atravessado uma série de contrariedades desportivas, diretivas e financeiras - voltaram a falhar a obrigação de demonstrar a inexistência de dívidas salariais a jogadores e treinadores nos meses de março - e isso tem-se refletido me campo. As cinco derrotas seguidas sem sete jogos sem ganhar mostram as dificuldades da equipa de Nuno Manta Santos tem em se manter entre os maiores do futebol português. Apesar disso o treinador avense tinha uma estratégia montada para abater o dragão e passava por "aproveitar as bolas paradas" e explorar as "dificuldades na sua transição defensiva" da equipa de Sérgio Conceição para tentar o ataque organizado. E foi assim que colocou os dragões em sentido com dois lances que podiam resultar em golo. A primeira oportunidade de golo foi do Desp. Aves. Pedro Soares aos 12 minutos levou perigo à baliza portista e aos 30 foi Diakhité que rematou com perigo, mas ao lado, após um lance estudado.

O jogo foi para o intervalo sem golos depois do árbitro anular um golo ao FC Porto. No segundo tempo a equipa portista voltou mais dinâmica e com Luis Díaz a assumir a responsabilidade ofensiva dos dragões. O colombiano teve dois lances de golo em apenas dois minutos. Um foi travado por Szymonek, o outro pelo árbitro, que analisou um possível penálti a favor do FC Porto e acabou a marcar fora de jogo a Díaz.

A dominar, mas sem conseguir marcar, Sérgio mexeu na equipa. Tirou o jovem Tomás Esteves, que se estreou no campeonato aos 18 anos, e fez entrar o possante Marega, que começou no banco. Sérgio queria mais presença na área e recorreu ao maliano, que pouco depois colocou Szymonek à prova. O guarda-redes brasileiro, que era suplente do francês Quentin Beunardeau (rescindiu em plena pandemia por ordenados em atraso), assumia-se como figura do jogo, uma barreira intransponível.

Os últimos dez minutos do encontro foram com os dragões instalados no meio campo avense, mas a jogar mais com o coração do que com a razão. A equipa portista acabou mesmo a recorrer ao chuveirinho, com Soares e Aboubakar juntos a Marega na área. E foi o maliano a ter a última oportunidade de golo nos pés, já depois dos 90 minutos, mas não conseguir enganar Szymonek.

A equipa da Vila das Aves amealhou um ponto importante na luta pela salvação e soma agora dois empates e 14 derrotas em 16 jogos com a equipa portista, que pode ser alcançada pelo Benfica na classificação.

FICHA DE JOGO

Jogo no Estádio do CD Aves, na Vila das Aves

Desportivo das Aves - FC Porto, 0-0

Equipas:

Desp. Aves: Fábio Szymonek, Kevin Yamga, Jonathan Buatu, Oumar Diakhité, Bruno Morais, Afonso Figueiredo, Cláudio Falcão, Zidane Banjaqui (Rúben Oliveira, 64'), Estrela (Bruno Lourenço, 90'+2'), Mehrdad Mohammadi (Rúben Macedo, 74) e Pedro Soares (José Varela, 74')

Treinador: Nuno Manta Santos

FC Porto: Agustín Marchesín, Tomás Esteves (Moussa Marega 59'), Chancel Mbemba, Pepe, Diogo Leite, Sérgio Oliveira, Otávio (Vincent Aboubakar, 89), Matheus Uribe (Soares, 77'), Jesús Corona, Zé Luís (Vítor Ferreira, 77') e Luis Díaz

Treinador: Sérgio Conceição

Árbitro: Carlos Xistra (AF Castelo Branco)

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Kevin Yamga (16'), Chancel Mbemba (24'), Mehrdad Mohammadi (32'), Matheus Uribe (61'), Cláudio Falcão (72'), Pepe (80'), Jonathan Buatu (83') e José Varela (90'+4').

Assistência: Jogo realizado à porta fechada devido à pandemia de covid-19.

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