Djokovic. O antivacinas vegano que acredita no poder da mente para tornar a água potável

O número 2 do ranking mundial está infetado com covid-19. Organizou torneio nos Balcãs sem restrições e o resultado são cinco atletas infetados. Já tinha sido apanhado a treinar em Marbella, numa altura em que era proibido.

Novak Djokovic. Uns defendem-no outros apontam-lhe o dedo depois de testar positivo para a covid-19, mas ninguém lhe fica indiferente. Mal amado por uns e amado por outros rivaliza atenções e troféus no ténis com Nadal e Federer, que suscitam mais paixões do que ódios.

Vegano, defensor da medicina holística e crente no poder da mente humana para transformar algo mau em bom, são algumas das ideias do tenista que geram polémica

O tenista foi o promotor da Adria Tour, uma série de torneios com caráter amigável e benemérito no Balcãs (Sérvia, Bósnia e Croácia), que contou com alguns nomes importantes do ténis na região. Antes da competição o sérvio promoveu eventos como uma partida de futebol, um jogo de basquetebol e até uma festa noturna, onde não faltaram abraços e confraternizações. Resultado? Três tenistas (Dimitrov, Coric e Troicki), dois fisioterapeutas e um basquetebolista da NBA (Jokic) infetados com covid-19, além do próprio Djokovic e da mulher.

O torneio sem restrições sanitárias tornou-se um foco da covid-19 e é a mais recente controvérsia gerada em torno do comportamento do sérvio, que esteve muito ativo nas redes sociais durante o confinamento em Marbella (Espanha). Djokovic participou em várias videoconferências onde falou sobre a sua filosofia de vida, os seus costumes e ideias. Tudo intimamente relacionado com o holismo, uma palavra que vem do grego holos e que significa tudo.

Djokovic é um defensor da medicina holística, que utiliza métodos naturais como homeopatia, meditação e yoga, áreas que o sérvio aprofundou depois de conhecer o ex-tenista Rioja Pepe Imaz, que é hoje o seu guia espiritual. Em julho de 2018, depois dos dois piores anos da carreira que o levaram a pensar em abandonar o ténis, Novak Djokovic voltou à boa forma e venceu, pela quarta vez na carreira, o torneio de Wimbledon. O segredo para o regresso do ex-número 1 mundial às vitórias em Grand Slams esteve na recontratação de Vajda, o treinador a quem tinha dispensado ao fim de 11 anos. Para o perdoar e voltar a treinar Vajda exigiu que ele se afastasse do guru e incluísse proteínas animais na alimentação vegan. O que o tenista aceitou... mas por pouco tempo.

A influência do guru espanhol voltou e foi no resort dele, em Marbella, que Djokovic passou a quarentena. A alcaide agradeceu a presença, ele filmou-se a treinar numa altura em que Espanha estava de quarentena e a prática desportiva estava proibida e enfureceu os tenistas espanhóis. O clube local pediu desculpa por ter permitido que treinasse e a Federação Espanhola de Ténis emitiu um comunicado lembrando que tenistas profissionais poderiam se exercitar sozinhos ou com os seus técnicos, mas não em court. O organismo tentou depois contactar o jogador, mas não conseguiu e ficou-se sem saber se o jogador foi multado por quebrar a quarentena.

Já em março tinha sido muito criticado por abandonar Indian Wells antes de o torneio ser cancelado devido à pandemia. Muitos tenistas acusaram-no de fazer uso de informação privilegiada para uso próprio em vez de acautelar os interesses dos atletas, na qualidade de presidente da associação de tenistas.

O poder da mente para transformar água contaminada em água potável

O tenista sérvio não acredita na vacinação e defendeu a sua ideia numa conversa com tenistas sérvios. "Pessoalmente, sou contra a vacinação e não quero ser obrigado por alguém a vacinar-me para que possa viajar", disse o tenista, já depois da mulher, Jelena, ter publicado um vídeo no Instagram sobre a teoria da conspiração sobre a implementação de redes 5G para proceder à vacinação massiva por chip. A teoria defende que isso tornaria os seres humanos em "antenas vivas" de forma a serem controlados mentalmente via 5G.

O poder da mente para transformar água contaminada em água potável, a teoria do ensaísta japonês Masaru Emoto, é outras das ideias defendidas pelo ex-número 1 mundial. Numa conversa com o empresário Chervin Jafarieh, que se autoproclama alquimista, Nole exaltou a capacidade do ser humano fortalecer o sistema imunológico com pensamentos positivos. "Conheço algumas pessoas que, através de transformação energética, através do poder da oração, através do poder da gratidão, conseguiram transformar os alimentos mais tóxicos, ou talvez a água mais poluída, na água mais curativa, porque a água reage. Cientistas provaram em experimentos que moléculas na água reagem às nossas emoções e ao que foi dito", disse.

Além disso Djokovic é vegano confesso - prática polémica entre atletas de alta competição - e até abriu um restaurante vegan no Mónaco, onde reside. Além disso pratica jejum intermitente, como outros atletas. "Fico 16 horas sem comer", revelou numa conversa online com Muguruza.

Hábitos e controvérsias que o mantêm no topo há mais de uma década.

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