65 chineses da seleção de canoagem autorizados a ficar em Portugal até abril devido ao coronavírus

SEF autorizou comitiva a prolongar a estada em Viseu. Vieram em novembro para se prepararem para os Jogos Olímpicos.

A seleção chinesa de canoagem sprint vai continuar em Portugal devido ao surto do coronavírus na China. A equipa vai permanecer no Centro de Alto Rendimento da Nelo, na barragem da Aguieira, em Viseu, até dia 1 de abril, depois do Serviço Estrangeiros e Fronteiras (SEF) ter estendido o visto à comitiva de 65 elementos, segundo apurou o DN.

Chegaram no início de novembro para um estágio de preparação e deviam ter ido embora no dia 1 de fevereiro. O plano original previa que os canoístas e responsáveis técnicos voltassem à China, para preparar o Campeonato Asiático de Canoagem, marcado para o final de março, na Tailândia, que servirá de qualificação para os Jogos Olímpicos Tóquio2020. No entanto, "o receio do coronavirus" e "o medo de ficarem impedidos de sair da China ou de terem de cumprir um período de quarentena que atrapalhe a preparação desportiva" levou os chineses a optar por continuar em Portugal, segundo contou ao DN André Santos, da empresa Nelo.

As preocupações com a mobilidade fizeram-nos ficar. "Pediram-nos para estender a estadia, pelo menos, até dia 1 de abril, depois têm pensado mudar-se para Espanha, evitando o regresso à China", contou o responsável do Centro de Alto Rendimento da Nelo, lembrando que em junho e julho deverão voltar para fazer o último estágio antes dos Jogos Olímpicos. Ou seja, há todo um plano de contingência para preparar Tóquio2020 sem voltar à China se for preciso.

A continuidade dos 65 chineses "criou alguns problemas de logística" ao centro, uma vez que há muitas seleções a querer estagiar na Aguieira em ano de JO. "Tivemos de fazer um esforço logístico grande porque já estávamos a recusar equipa por estarmos completos e de repente tivemos de ficar com mais 65 pessoas durante mais alguns meses, mas em conjunto com o hotel e a federação chinesas acordamos um plano que implicou a aquisição de mais equipamento, um local próprio para as refeições deles, um espaço adicional para o ginásio deles e a aquisição de mais seis barcos a motor e não sei quantos caiaques de forma a que a estadia da comitiva chinesa não coincidisse com a estadias das outras equipas", explicou André Santos.

Nesta altura, além da seleção chinesa estão lá as equipas de Portugal, Polónia, Dinamarca e Inglaterra.

Chegaram em novembro, ainda antes do início do surto (dezembro), foram submetidos a algum tipo de testes médicos ou isolamento? "Não. Eles chegaram diretamente dos EUA, onde tinham estado a estagiar seis semanas, Estamos a falar de pessoas que já estão fora da China desde setembro de 2019", respondeu.

Introspetivos por natureza, não são de falar das implicações do coronavírus ou de como isso atrapalha as relações pessoais deles. "Vê-se que estão muito preocupados com o coronavírus e que isso os afeta emocionalmente e causa algum embaraço, mas eles são muito concentrados na sua preparação desportiva. E nós por respeito também não os questionamos sobre isso", disse André Santos, lembrando que se trata de uma comitiva habituada a medalhas olímpicas e extremamente concentrada no rendimento desportivo: "Estamos a falar da elite desportiva chinesa, com um orçamento 20 vezes o da equipa portuguesa por exemplo. Não é por aí que eles não vão ganhar medalhas em Tóquio. Uma equipa sólida, super organizada, com uma estrutura forte e super bem preparados, que são pagos para remar e com um plano de contingência."

Para já e pelo menos até dia 1 de abril, os canoístas, vão continuar longe do coronavírus Codiv-19, o vírus que já matou 1523 pessoas. A epidemia foi detetada em dezembro, em Wuhan, capital da província de Hubei, entretanto já colocada sob quarentena.

O surto já obrigou a suspender vários eventos desportivos internacionais organizados pela China, incluindo os Mundiais de atletismo em pista coberta, que estavam marcados para março em Nanjing.

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