Os sócios do Vitória de Setúbal aprovaram, por larga maioria, um projeto imobiliário nos terrenos do clube em Vale de Cobro, numa decisão considerada estratégica para reforçar a estabilidade financeira do emblema sadino e sustentar a ambição de regressar ao principal escalão do futebol português. A proposta foi votada em assembleia geral realizada na sexta-feira à noite, no Pavilhão Antoine Velge, com a presença de cerca de 400 associados.Em declarações à agência Lusa, o presidente do clube, Francisco Alves Rito, revelou que a proposta da direção obteve um apoio expressivo, registando apenas algumas abstenções e poucas dezenas de votos contra. O plano prevê o desenvolvimento de um projeto imobiliário em dois lotes pertencentes ao Vitória de Setúbal, numa parceria com o grupo Tafver, patrocinador principal do clube, através da elaboração de um plano de pormenor para os terrenos localizados em Vale de Cobro.Segundo o dirigente sadino, esta operação deverá permitir liquidar a dívida à Autoridade Tributária e reduzir a dependência do projeto imobiliário previsto para o Estádio do Bonfim, associado a um Pedido de Informação Prévia (PIP) já aprovado. Francisco Alves Rito sublinhou à Lusa que a concretização deste novo projeto dará ao clube maior margem de decisão sobre o futuro patrimonial e financeiro, deixando de depender exclusivamente da operação prevista para o Bonfim para cumprir o Plano de Insolvência e Recuperação (PIRE), que se encontra em execução há mais de um ano.Para o presidente do Vitória de Setúbal, a aprovação representa um passo decisivo rumo à independência financeira do clube, permitindo ultrapassar uma fase marcada pela luta pela sobrevivência e avançar para um novo ciclo focado na sustentabilidade económica e no relançamento desportivo. O objetivo passa por consolidar a recuperação financeira ao mesmo tempo que a equipa procura regressar ao futebol profissional.Na próxima temporada, o Vitória de Setúbal irá disputar o Campeonato de Portugal, assumindo como meta a subida à Liga 3, etapa vista como fundamental no percurso de regresso à I Liga portuguesa. Paralelamente, a direção pretende avançar com a elaboração do plano de pormenor para Vale de Cobro, definir a capacidade construtiva dos terrenos e manter uma política de gestão rigorosa.De acordo com Francisco Alves Rito, em declarações à Lusa, o passivo total do universo sadino, anteriormente estimado em cerca de 64 milhões de euros entre clube e SAD, foi reduzido para pouco mais de seis milhões de euros após a liquidação da sociedade desportiva. Com a concretização da operação agora aprovada pelos sócios, a direção estima que a dívida possa baixar para pouco mais de quatro milhões de euros, continuando a ser regularizada ao abrigo do PIRE através de um plano prestacional..Vitória de Setúbal decide futuro em assembleia polémica