O Braga enfrenta o Friburgo esta quinta-feira (20h00), uma estreia em confrontos com a equipa alemã, à procura de ganhar vantagem na meia-final da Liga Europa. Em causa a segunda final da história para os bracarenses e sob a égide de um treinador que tem passado longe do radar, uma vez que a campanha interna arsenalista ficou cedo sem a Taça de Portugal - eliminação frente ao Fafe nos quartos de final -, foi antes marcada pela derrota na final da Taça da Liga contra o Vitória de Guimarães e por um quarto posto no campeonato que está encaminhado, mas que tem sido a meta mínima do clube. Vicens chega a Portugal depois de quatro anos a ladear Pep Guardiola no Manchester City e outros quatro na formação de jovens no City. Herdou, na equipa principal, parte das tarefas que eram de Arteta, antes de este rumar ao Arsenal. A filosofia de Guardiola, o treinador mais titulado da história do futebol, vê-se no Braga. “Não vai mudar o estilo, certamente, se ainda não mudou durante a temporada. Este Braga cansa o adversário, gosta de controlar. Vai fazer o que tentou sempre fazer, ou seja, amassar o adversário, procurar que entre em desespero”, perspetiva Domingos Paciência, treinador que comandou o Braga à única final europeia do clube, em 2011. “[Vicens] sabe do impacto do jogo, dos pormenores que podem fazer a diferença, mas o Braga tem todas as condições para vencer a Liga Europa porque as equipas que estão em prova são muito equilibradas”, confia o antigo técnico, valorizando a experiência de João Moutinho, que ganhou a Liga Europa com o FC Porto em 2011 (precisamente frente ao Braga) e foi campeão europeu em 2016, ou até Ricardo Horta, pela presença em fases finais por Portugal: “Quem já viveu estes momentos de grande pressão tem um contributo diferente, ajuda à abordagem coletiva.”Domingos Paciência testemunha ao DN que “o grande sonho do Braga é ser campeão nacional.” Diz, porém, que a equipa “viveu muito bons momentos e outros maus” e que “quando conseguir níveis de regularidade pode chegar a outro patamar”, vincando que, para isso, é preciso “segurar muitos jogadores” e “ganhar os jogos contra equipas de meio da tabela.” Daí que diga que há chances na Liga Europa, quer perante o 8.º classificado da Bundesliga quer frente a Nottingham Forest ou Aston Villa, a dupla inglesa que disputa a outra meia-final. Entre os destaques bracarenses, menciona Gorby, Ricardo Horta e, acima de tudo, Zalazar, “que quebra linhas e faz diferença.”.Recuando a 2011, Domingo detalha as diferentes realidades. “Jogávamos de olhos na baliza, tínhamos Lima, Alan, Matheus, Paulo César, Mossoró. Éramos muito objetivos, tínhamos jogadores rápidos e o Luis Aguiar e o Hugo Viana colocavam bolas fantásticas nas costas da defesa”, recorda, elogiando “uma defesa que não trocava por qualquer outra dos grandes”, mencionando Moisés, Rodríguez ou Paulão, e os “equilíbrios de Custódio e Vandinho”. “Um dos maiores lamentos que tenho é não ter visto Vandinho num grande”, revela, justificando, assim, que “estava tudo reunido para chegar à final”, apesar de as vendas de António Salvador no inverno terem ditado, de acordo com Domingos, um plantel “mais desequilibrado” e dependente de “13 ou 14 jogadores.” “Fizemos um jogo fantástico na segunda mão com o Benfica, mas o 2-1 na Luz fez-nos acreditar que iríamos passar na Pedreira. Eliminámos o Liverpool e o Dínamo Kiev, uma grande equipa na altura. Depois de termos sido segundos no campeonato de 2010 fomos à Liga dos Campeões e fizemos nove pontos [venceu até o Arsenal]. Isso deu confiança”, ressalva. “É difícil explicar o que vimos na cidade naqueles dias, ao ter aquela final, a primeira da história. Havia pressão, mas os jogadores libertaram-se dela”, conta Paciência, admitindo que “foi mais fácil gerir o balneário porque houve transparência desde início.” O plantel, na meia-final com o Benfica, sabia que Domingos iria sair. Uma decisão “praticamente tomada em janeiro”, aquando da venda de jogadores. Foi para o Sporting no ano seguinte e reconhece que um título europeu, frente ao FC Porto, lhe podia ter mudado a carreira. Aplica essa mesma convicção ao trajeto futuro de Vicens. “Para dar o salto de Portugal para um grande europeu é preciso vencer uma prova europeia. Podia ter sido diferente para mim. Porque nunca é a mesma coisa para quem vence ou para quem perde, mesmo indo à final”, analisa. .Domingos Paciência é o novo diretor técnico nacional. Saiba quem faz o quê na nova era da FPF.Sporting de Braga perde nos Açores antes das meias-finais da Liga Europa.Liga Europa: Horta aponta à final e Vicens pede eficácia e controlo emocional na receção ao Friburgo