Uma presidente no FC Porto? Villas-Boas gostava, mas realidade mostra que ainda está distante
Foto: Leonel de Castro

Uma presidente no FC Porto? Villas-Boas gostava, mas realidade mostra que ainda está distante

Liderança de clubes ainda à prova de igualdade de género. Alexandrina Cruz, do Rio Ave, é a primeira e única mulher a presidir na I Liga. Há 5889 dirigentes femininas registadas em Portugal.
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Anfitrião e orador do Fórum sobre Liderança Feminina no Desporto, André Villas-Boas confessou ontem que é seu desejo ver uma mulher chegar à presidência do FC Porto. “Que daqui a uns anos, na cadeira de sonho que ocupo, se sente uma mulher, e eleve o FC Porto ao estatuto de clube dos clubes”, revelou o presidente portista no SIGA Women Leadership Forum que decorreu no Estádio do Dragão.

A igualdade de género no Dragão é uma preocupação do sucessor de Pinto da Costa, que criou a Secção de Futebol Feminino - a equipa estreou-se com mais de 30 mil pessoas a ver - e pretende aumentar o número de atletas mulheres, que nesta altura são apenas 17% do universo portista. Além disso, segundo Villas-Boas, “os quadros do grupo FC Porto caminham para a paridade, com 47 % a serem mulheres” e a “política de recrutamento, assim como o tratamento, é igual e indiferenciado entre géneros”.

Para ser presidente do FC Porto é preciso ser sócia e, nesse campo, é também desejo do atual líder aumentar a quantidade de sócias 35 % e assim aproximar o número de associadas aos homens.

O desejo do atual líder dos dragões , contudo, não tem reflexo na realidade portuguesa. Até hoje só duas mulheres presidiram aos destinos de dois clubes em competições profissionais. Alexandrina Silva lidera o Rio Ave, clube da I Liga, desde 2013, e Sílvia Carvalho foi presidente da SAD do Leixões entre 2013 e 2015, mas não chefiava o clube.

Saindo da esfera clubística, todas as 28 federações de modalidades olímpicas portuguesas são presididas por homens. E do total de 115 vice-presidentes, há apenas duas mulheres, segundo um Relatório sobre Igualdade de Género no Desporto  do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), que lançou inclusive, em 2023, uma campanha direcionada às raparigas, alunas do Ensino Secundário, sob o mote - “Tu também podes ser a presidente do teu clube”. 

Ainda segundo dados do IPDJ, em 2023 estavam registadas 5889 dirigentes mulheres - o andebol é modalidade líder com 1494, seguida do futebol com 821 - num universo de 29 128 homens, o que torna ainda mais difícil imaginar que alguma chegue ao cargo de presidente, em clubes ou federação.

Leila, exemplo no Palmeiras

Ainda consideradas intrusas num mundo de homens, a verdade é que algumas mulheres vão mostrando competência a liderar no futebol. O caso mais mediático e de maior sucesso é Leila Pereira, que à boleia do sucesso de Abel Ferreira no comando da equipa do Palmeiras tem conquistado reconhecimento no futebol brasileiro e mundial.

Líder do Verdão desde 2022, é uma digna sucessora de outras líderes como Flora Viola, que durante três meses, em 1991, presidiu a AS Roma, ou Teresa Rivera, que, em 1994, se tornou a primeira mulher presidente de um clube espanhol (Rayo Vallecano). Ou ainda Gisela Oeri, a multimilionária presidente dos suíços do Basileia, de 2006 a 2012. Em Espanha, há atualmente quatro clubes presididos por mulheres: Amaia Gorostiza (Eibar), Layhoon Chan (Valência), Marián Mouriño (Celta de Vigo) e Sophia Yang (Granada).

isaura.almeida@dn.pt

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