Gianni Infantino continua sob fogo.
Gianni Infantino continua sob fogo.Foto: Pedro Casteleiro

'The Times' avança que Infantino recebeu 1,6 milhões de euros da entidade que organizou Mundial 2026

Jornal detalha que o valor foi vislumbrado numa declaração fiscal da organização sem fins lucrativos FWC2026 US Inc e que não foi incluída no relatório anual de vencimentos do presidente da FIFA.
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O presidente da FIFA, Gianni Infantino, terá recebido milhões de euros não declarados, que se acrescentam ao seu salário base. Uma investigação do jornal britânico The Times detalha que o líder da FIFA terá tido duas fontes distintas de rendimento. Uma oficial, declarada como a FIFA prevê desde 2016 e paga pelo organismo na Suíça, e outra não declarada e transferida pela organização do Campeonato do Mundo na América do Norte, em 2026.

A indicação que existe atualmente é que o valor transferido será de 1,6 milhões de euros, de modo a propiciar o pagamento da estadia em Miami com inúmeros benefícios luxuosos, como casa, transportes e atividades específicas.

A FIFA divulga desde 2016 a remuneração do presidente, que se situa nos 4,5 milhões de euros anuais, acrescidos de bónus. Logo, a tranche que Infantino terá recebido representa cerca de um terço do salário anual. O The Times pormenoriza que a investigação nasce da declaração fiscal aplicada no Internal Revenue Service dos Estados Unidos pela entidade FWC2026 US Inc, uma organização sem fins lucrativos que tomou conta da preparação logística do Mundial de futebol. Nesse documento são revelados valores de 1,6 milhões de euros nesse ano de 2024 para Infantino. Estes nunca foram tornados públicos pelo organismo que tutela o futebol mundial que, como tal, terá de vir a terreiro dar explicações e desmistificar possíveis atos de corrupção. Ao jornal britânico não foram dadas justificações.

O jornal avança ainda que Infantino terá recebido valores semelhantes ou até superiores referentes a 2025 e 2026, o que poderá colocar o presidente da FIFA em xeque quanto à atribuição do Mundial aos Estados Unidos da América, Canadá e México, esperando-se, nesta fase, a justificação dos gastos ao longo dos anos em Miami por Infantino.

Joseph Blatter esteve 17 anos ao leme da FIFA e depois de vários escândalos foi a alegada corrupção na atribuição de sedes para os Mundiais, com o caso mais visível em 2010 com a escolha do Qatar, para 2022, que o faria pedir a demissão em 2015. A escolha do Mundial na América do Norte foi feita em 2018, já Infantino era presidente há dois anos.

Há um mês, houve reunião de emergência dos dirigentes da FIFA depois de Infantino ter sido acusado de dever verbas e de posterior chantagem. O ex-secretário geral da UEFA já anunciou a recandidatura à liderança da FIFA em 2027, apesar de várias federações terem anunciado que não o vão apoiar nessa corrida. O prazo para a submissão de candidaturas termina a 18 de novembro.

A ida a Cabo Verde, na semana passada, foi vista como um golpe de marketing, uma vez que procurou, junto das 54 federações africanas, recordar os investimentos no continente desde que chegou ao poder. O continente perfaz mais de um quarto dos eleitores. A UEFA tem-se manifestado contra o presidente da FIFA e espera-se que a maioria das federações europeias vote noutra candidatura.

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