O presidente da FIFA, Gianni Infantino
O presidente da FIFA, Gianni InfantinoFIFA

UEFA prepara queixa-crime contra Gianni Infantino por gestão desleal

Processo judicial a ser preparado com base na lei suíça está relacionado com a criação de uma subsidiária destinada a comercializar as competições com capital privado, um projeto entretanto suspenso.
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A UEFA está a preparar uma queixa-crime contra o presidente da FIFA por alegada gestão desleal, acusando Gianni Infantino da tentativa de prejudicar intencionalmente os interesses do organismo com a abertura do Mundial de futebol a investidores privados.

De acordo com a AFP e a EFE, com ambas a citarem esta quinta-feira, 27 de agosto, fontes próximas do organismo que rege o futebol europeu, o processo judicial está a ser preparado com base na lei suíça e está relacionado com a criação da subsidiária FIFA Forward Enterprise (FFE), destinada a comercializar as suas competições com capital privado, projeto que entretanto foi suspenso.

Tanto a AFP como a EFE avançaram que a UEFA já solicitou autorização a um tribunal norte-americano da Florida para aceder a documentos relacionados com o projeto, de forma a transferi-los para a justiça suíça.

Já depois das agências noticiosas avançarem com esta informação, num longo comunicado, a UEFA anunciou que vai procurar “todas as vias institucionais, políticas e jurídicas disponíveis para garantir uma reforma fundamental da FIFA”.

“É preciso restaurar os limites adequados à autoridade presidencial e assegurar que a FIFA seja novamente governada como uma instituição e não em torno de um único indivíduo”, lê-se no documento, que resultou após uma reunião no Mónaco entre os representantes das federações nacionais que integram o Comité Executivo da UEFA e membros do Conselho Europeu da FIFA.

A UEFA defendeu ainda uma revisão externa independente da FFE, com acesso irrestrito a todos os documentos, comunicações e registos de tomada de decisão relevantes.

“A FIFA não pode investigar-se a si própria e esperar que a comunidade futebolística simplesmente aceite as suas conclusões”, frisou.

Apesar de a FIFA ter garantido que o projeto FFE foi “irrevogável e permanentemente cancelado”, mesmo assim o organismo que rege o futebol europeu defendeu que Gianni Infantino não tem condições para se recandidatar ao cargo e prometeu apresentar uma alternativa caso o ítalo-suíço mantenha essa intenção.

No início de agosto, Gianni Infantino anunciou a criação da FFE para gerir as atividades comerciais da organização e torneios como o Campeonato do Mundo, com a participação de investidores privados, projeto que foi rapidamente retirado devido a elevada oposição.

A UEFA, a confederação norte-americana (CONCACAF) e asiática (AFC) repudiaram mesmo a ideia do presidente da FIFA numa carta conjunta à "família do futebol".

No cargo desde 2016, Infantino é o único candidato declarado às eleições do próximo ano e precisa de uma maioria simples dos votos das 211 federações filiadas na FIFA para prolongar o seu mandato.

Nesse sentido, Infantino já recebeu o apoio total da Confederação Africana de Futebol (CAF), parte da Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), bem como de outras federações, ex-jogadores e figuras políticas como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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