Sainz volta a criticar defensores das novas regras da F1 e alerta para riscos na segurança dos pilotos
A Fórmula 1 atravessa um momento de forte contestação interna após o acidente de Oliver Bearman no Grande Prémio do Japão, em Suzuka, que reacendeu o debate sobre a segurança dos regulamentos técnicos introduzidos para 2026. Vários pilotos, entre eles Carlos Sainz, defendem que as atuais diferenças de velocidade entre monolugares representam um risco real e previsível, exigindo mudanças urgentes por parte da FIA e da Formula One Management.
O espanhol, que integra a direção da Grand Prix Drivers Association (GPDA), foi particularmente crítico após o impacto de cerca de 50G sofrido por Bearman, provocado por diferenças significativas de velocidade entre carros em fase de gestão energética. Segundo Sainz, os pilotos já tinham alertado repetidamente para o perigo destas situações antes mesmo do início da temporada, defendendo que o acidente era “apenas uma questão de tempo”.
O incidente ocorreu quando Bearman tentou evitar o monolugar de Franco Colapinto, que circulava com menor potência disponível devido ao sistema de recuperação de energia, originando uma aproximação súbita e violenta. O episódio expôs as consequências práticas das novas regras híbridas, que dividem de forma mais equilibrada a potência entre motor térmico e elétrico e criam diferenças imprevisíveis de desempenho em reta.
Na sequência do acidente, Sainz criticou a tendência de privilegiar o espetáculo televisivo em detrimento da segurança dos pilotos, considerando que a perceção das equipas nem sempre coincide com a realidade vivida dentro do cockpit. O piloto espanhol defendeu que diferenças de velocidade superiores a dezenas de quilómetros por hora não representam competição real e aumentam substancialmente o risco de acidentes graves.
As declarações surgem também em resposta indireta às posições do chefe da Mercedes-AMG Petronas Formula One Team, Toto Wolff, que tem defendido os atuais regulamentos como positivos para o espetáculo e para a atratividade do campeonato junto do público mais jovem. O dirigente austríaco chegou a afirmar que apenas “conservadores e tradicionalistas” rejeitam o atual formato competitivo.
Contudo, vários pilotos discordam desta avaliação. Fernando Alonso, por exemplo, considerou que muitas ultrapassagens deixaram de resultar de manobras genuínas de corrida, passando a depender sobretudo da gestão de bateria e de diferenças momentâneas de potência entre carros.
O debate ganhou maior intensidade após Suzuka, levando a FIA a confirmar reuniões para analisar eventuais alterações regulamentares antes das próximas provas, incluindo o Grande Prémio de Miami. A federação reconheceu que as velocidades de aproximação entre monolugares constituem um fator de risco que exige avaliação urgente.
Sainz alertou ainda para o potencial agravamento do problema em circuitos urbanos como Circuito Urbano de Baku ou Las Vegas Strip Circuit, onde margens de erro são menores e o impacto de diferenças bruscas de velocidade pode ter consequências mais graves. O piloto espanhol espera agora que o acidente de Bearman funcione como ponto de viragem no diálogo entre pilotos, equipas e reguladores, permitindo introduzir soluções que reduzam os deltas de velocidade e reforcem a segurança em pista.

