A Fórmula 1 prepara-se para entrar numa nova era a partir de 2026, com uma profunda reformulação técnica que irá alterar de forma significativa os carros, os motores e a abordagem competitiva das equipas. A nova geração de regulamentos, definida pela Federação Internacional de Automobilismo, tem como principais objetivos tornar o campeonato mais sustentável, reforçar a segurança e manter o espetáculo em pista.A nova era da Fórmula 1 terá início oficial com o Grande Prémio da Austrália, em Melbourne, entre 6 e 8 de março de 2026, prometendo redefinir o equilíbrio entre tecnologia, condução e estratégia na principal categoria do automobilismo mundial.Os monolugares de 2026 serão mais pequenos e mais leves, com uma redução do peso mínimo em cerca de 30 quilogramas. A distância entre eixos diminuirá para 3,40 metros e a largura total passará a ser de 1,90 metros, tornando os carros mais ágeis. “Os carros são, de facto, mais pequenos e mais leves, mas gostava também de dizer que a cada mudança regulamentar, e esta é a maior de sempre, com enormes novidades nos chassis e motores, há sempre que contar com a arte e o engenho dos engenheiros para nos trazerem carros cada vez mais competitivos”, disse ao Diário de Notícia Ni Amorim, presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), que acrescentou ainda que “os dois a três segundos de diferença nos tempos, vão rapidamente ser colmatados”. O conceito aerodinâmico também será revisto, com menor dependência do efeito solo e a introdução de aerodinâmica ativa nas asas dianteira e traseira. O atual sistema DRS será eliminado e substituído por um modo de controlo manual que permitirá aos pilotos alternar entre configurações de maior eficiência em reta e maior carga aerodinâmica em curva. Apesar destas mudanças, a redução do apoio aerodinâmico será de cerca de 15% face aos carros utilizados entre 2022 e 2025, o que deverá traduzir-se em tempos por volta aproximadamente dois segundos mais lentos.As unidades de potência sofrerão igualmente alterações profundas. O sistema híbrido manter-se-á, mas o MGU-H (gerador elétrico ligado ao turbocompressor, responsável por recuperar energia dos gases de escape) será removido, enquanto o MGU-K (gerador elétrico ligado ao eixo do motor, que recupera energia nas travagens e fornece potência adicional às rodas) ganhará maior potência, aumentando significativamente o peso da componente elétrica. Em determinadas fases da corrida, cerca de metade da potência total poderá ser fornecida pelo sistema elétrico, obrigando os pilotos a uma gestão de energia mais rigorosa e estratégica ao longo de cada volta.Para Ni Amorim “mesmo sendo este um regulamento tecnicamente complicado, o público, os fãs, se houver batalhas em pista, rapidamente irão esquecer essa complicação técnica e concentrar-se nas batalhas ao longo dos Grandes Prémios”.A temporada de 2026 marcará também mudanças relevantes no alinhamento de construtores. A Audi entrará oficialmente na Fórmula 1 como equipa de fábrica, após a aquisição total da Sauber, enquanto a Ford regressará ao campeonato como fornecedora de motores em parceria com a Red Bull Powertrains. A Honda iniciará um novo programa independente, passando a fornecer motores à Aston Martin. Em sentido oposto, a Renault deixará de produzir unidades de potência para a Fórmula 1, tornando 2026 a primeira temporada sem motores franceses desde 1988. O campeonato contará ainda com a entrada da Cadillac como 11.ª equipa, utilizando motores e caixas de velocidades fornecidos pela Ferrari.A segurança será reforçada com uma nova estrutura de impacto frontal de dois estágios, maior proteção lateral do cockpit e uma barra de proteção capaz de suportar cargas superiores às atuais. Serão também obrigatórias luzes laterais de segurança que indicarão o estado do sistema elétrico dos carros quando estes ficarem imobilizados em pista. “Esta preocupação com a segurança é de louvar. E aproveito para relembrar que em2027 e 2028 serão estes carros a dar espetáculo no Grande Prémio de Portugal, em Portimão”, referiu ainda o presidente da FPAK. No plano visual, as equipas terão de garantir que pelo menos 55% da superfície visível do carro esteja coberta por pintura ou grafismos, reduzindo o uso excessivo de fibra de carbono exposta.Em condições de calor extremo, o uso de coletes de arrefecimento passará a ser obrigatório para os pilotos, com equipamentos redesenhados para melhorar o conforto e reduzir riscos para a saúde. No conjunto, estas mudanças irão exigir uma adaptação significativa por parte das equipas e dos pilotos, num campeonato onde a gestão de energia, a aerodinâmica ativa e a eficiência global terão um papel ainda mais determinante. .Da Supertaça à Fórmula 1, Arábia Saudita concentra grandes eventos em 2026 e gera críticas de atletas.Fórmula 1: “Impacto nulo ou negativo, mas nunca positivo” para a economia.É oficial. Fórmula 1 de regresso a Portugal em 2027 e 2028