A direção da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) pediu ao gabinete que ganhou o concurso de requalificação do Estádio Nacional, no Jamor, para suspender o desenvolvimento do projeto de execução para poder rever alguns aspetos, incluindo o valor total do projeto, na ordem dos 25 milhões de euros, e as mudanças na zona da Tribuna de Honra, que contempla apenas a cobertura de parte da bancada central do recinto de jogo. O organismo liderado por Pedro Proença confirmou ao DN que “se encontra a reavaliar, em conjunto com as diversas entidades envolvidas, o projeto de requalificação do Jamor, com o objetivo de analisar se o projeto, bem como os moldes previstos nos protocolos assinados em 2023 e em janeiro de 2025, defendem não apenas os interesses da Federação Portuguesa de Futebol mas também as necessidades do espaço, nomeadamente a nível de segurança, mas não só, tendo em conta a sua relevância para o Desporto português de forma geral e para o futebol português em particular”.A requalificação do Jamor sofre assim mais um revés. O protocolo de requalificação do recinto desportivo foi assinado em julho de 2023, entre a Câmara Municipal de Oeiras, a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), a Federação Portuguesa de Rugby (FPR), o Instituto Português da Juventude e do Desporto (IPDJ) e a Direção Geral do Património Cultural (DGPC), uma vez que o Complexo aguarda classificação como Património Nacional desde 2019.A cerimónia protocolar quis destacar o valor do imóvel para a história do Desporto português, e contou inclusive com a presença do então primeiro-ministro, António Costa, mas só meio ano depois, em janeiro de 2024, foi lançado o concurso de seleção da equipa projetista de reabilitação, ganho pelo Consórcio liderado pelo arquiteto Aires Mateus.Revelado em janeiro de 2025, o projeto conjunto entre a Aires Mateus III Lda, Atherden Fuller Leng e Gonçalves Vieira-Cruz, mantém os traços tradicionais do Complexo do Jamor, como os balneários no local onde hoje se encontram e entrada dos jogadores no campo pelo túnel, mesmo prevendo a modernização do espaço e prometendo tornar o recinto mais acessível e confortável aos adeptos. As alterações mais significativas e impactantes centravam-se na cobertura da bancada central e as mudanças na zona da Tribuna VIP. Presente no anúncio do vencedor, na Ordem dos Arquitetos, o então secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, lembrou que ao fim de oito décadas de vida se impõe a requalificação do espaço, revelando que o Estado avançaria com 6% dos 25 milhões de euros orçamentados. Já Fernando Gomes, então presidente da FPF e agora líder do COP, mostrou-se “orgulhoso” pelo organismo liderar o processo de reabilitação de um espaço “que transcende” a mera funcionalidade desportiva. Posteriormente, foi assinado um outro protocolo, entre a FPF, e o IPDJ, que prevê o suporte dos custos do desenvolvimento do projeto de execução, ficando a Federação isenta de pagar taxas pela utilização do Estádio durante cinco anos. Este é um dos termos que a direção da FPF pretende rever, sabe o DN.Obra polémica de início ao fimInspirado no antigo Estádio Olímpico de Berlim, que recebeu os Jogos de 1936, o Estádio Nacional teve a primeira pedra colocada em 1938. Foi inaugurado no dia 10 de junho de 1944 - na altura Dia da Raça Nacional e hoje Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas - pelo Presidente da República Óscar Carmona e pelo presidente do Conselho (cargo idêntico ao de primeiro-ministro) António Oliveira Salazar. A cerimónia, segundo o DN da altura, “foi uma grande afirmação nacional de otimismo, disciplina e beleza”. A festa terminou com um Benfica-Sporting,que os leões venceram, por 3-2. Desde 1946, salvo raras exceções, recebe a final da Taça de Portugal, tendo em 1967 sido o palco da final da Taça dos Campeões Europeus, em que o Celtic venceu o Inter Milão. Desde aí, tornou-se local de culto para os adeptos dos escoceses.Só mais tarde o complexo ganhou os espaços que tem atualmente, nomeadamente a piscina, centro de alto rendimento, centro de ténis, campos de futebol e râguebi, residência para atletas, além do estádio e do centro de treinos e de servir a população para a prática desportiva.isaura.almeida@dn.pt