Premier League, LaLiga, Serie A e Bundesliga exigem reforma profunda na FIFA
A Premier League (Inglaterra), a LaLiga (Espanha), a Serie A (Itália) e a Bundesliga (Alemanha) uniram-se numa tomada de posição inédita para exigir uma reforma profunda da FIFA, acusando a atual estrutura de governação de concentrar poder excessivo e de afastar das decisões os agentes mais diretamente afetados pelo rumo do futebol mundial.
Num comunicado conjunto, assinado pelos responsáveis máximos das quatro ligas, as organizações sustentam que a FIFA tem de passar a funcionar de forma “transparente, objetiva, proporcional e inclusiva”, com mecanismos que impeçam decisões unilaterais sobre matérias com impacto direto nos clubes, nos jogadores e nas competições nacionais.
O alvo central da crítica é o projeto FIFA Forward Enterprise, entretanto abandonado, que previa a venda de uma participação minoritária nas atividades comerciais e de organização de eventos da FIFA, incluindo direitos associados ao Mundial. As ligas consideram que a retirada da proposta não resolve o problema de fundo e defendem que as circunstâncias que permitiram o seu avanço continuam presentes.
“O futebol sofreu um dos maiores abusos de poder da história da FIFA”, afirmam as quatro competições, ao sustentarem que a governação do organismo não pode depender de uma estrutura onde o presidente detenha simultaneamente influência reguladora, comercial e política sem contrapesos suficientemente fortes.
A declaração aponta três exigências centrais. A primeira passa pela criação de um órgão permanente que inclua federações, ligas, clubes e jogadores, tanto do futebol masculino como do feminino, com intervenção real nas decisões. Para Premier League, LaLiga, Serie A e Bundesliga, os grupos diretamente atingidos por medidas relativas ao calendário internacional, às competições, ao emprego ou aos ativos centrais do futebol devem ter de dar o seu acordo.
A segunda reivindicação é a adoção de decisões sustentadas em evidência. Qualquer grande proposta da FIFA deverá ser acompanhada por uma justificação clara, estudos independentes de impacto e explicações públicas antes de ser aprovada, avaliando consequências para atletas, clubes, ligas e adeptos.
Por fim, as ligas defendem uma separação efetiva entre a função reguladora da FIFA e a sua atividade comercial enquanto organizadora de competições. O objetivo é garantir que as estruturas de ética, fiscalização financeira e eleições disponham de meios, orçamento e nomeações verdadeiramente independentes da administração e da presidência do organismo.
A contestação ganha força num período em que a FIFA enfrenta críticas pela expansão do calendário internacional e pelo impacto das suas provas nas competições internas. As ligas lembram que apenas uma pequena parte dos futebolistas profissionais participa num Mundial, enquanto os restantes jogadores e clubes interrompem a atividade quando os campeonatos nacionais são obrigados a parar.
O documento também surge antes das eleições presidenciais da FIFA, marcadas para março de 2027. As quatro ligas apelam aos candidatos para que apresentem programas concretos de reforma e defendem a realização, nos primeiros 100 dias do próximo mandato, de uma convenção independente sobre governação, com participação alargada e conclusões públicas.
“A força da FIFA tem de ser acompanhada por responsabilidade, escrutínio e confiança”, concluem Premier League, LaLiga, Serie A e Bundesliga.


