Čeferin deixa aviso à FIFA: “O futebol não está à venda”
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Čeferin deixa aviso à FIFA: “O futebol não está à venda”

Presidente da UEFA interveio por videomensagem na abertura do Portugal Football Summit, na Cidade do Futebol, e afirmou que a confiança no futebol mundial continua por reconstruir.
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Aleksander Čeferin deixou esta quarta-feira, 23 de setembro, uma crítica direta, ainda que sem mencionar nomes, à forma como foi conduzida a proposta de entrada de investidores privados nos direitos comerciais da FIFA. Numa intervenção por videomensagem na abertura do Portugal Football Summit, que decorre até sexta-feira na Cidade do Futebol, em Oeiras, o presidente da UEFA sustentou que a confiança no futebol mundial ainda não foi recuperada.

“O futebol não está à venda”, afirmou o dirigente esloveno, defendendo que a unidade, a transparência e uma governação ao serviço da maioria são condições indispensáveis para proteger o jogo. “A confiança no nosso desporto assenta em três pilares: unidade, transparência e uma governação que serve muitos, não poucos”, declarou.

Čeferin referia-se, sem o identificar expressamente, ao projeto que previa a venda de 20% dos direitos comerciais da FIFA — incluindo os do Campeonato do Mundo — a investidores privados. A proposta acabou por ser abandonada em julho, depois da oposição da UEFA, da Confederação Asiática de Futebol e da CONCACAF.

“O projeto que destruiu a unidade do futebol mundial pode ter sido abandonado, mas a confiança que quebrou não regressou. Repará-la é agora o nosso trabalho”, sublinhou o presidente da UEFA, numa das intervenções mais marcantes da sessão inaugural do encontro promovido pela Federação Portuguesa de Futebol.

O discurso surge dias depois de Gianni Infantino, presidente da FIFA, ter proposto uma avaliação externa e independente aos mecanismos de governação do organismo para grandes decisões estratégicas. A iniciativa, porém, não dissipou as reservas de várias federações e confederações que contestaram o plano de investimento privado.

Sem referir diretamente o homólogo da FIFA, Čeferin insistiu que os dirigentes têm de saber a quem devem responder. “O jogo estará seguro se aqueles que o governam se lembrarem de para quem o governam”, concluiu.

O Portugal Football Summit reúne, entre 23 e 25 de setembro, dirigentes, treinadores, atletas, clubes, empresas e especialistas para debater os principais desafios do futebol, da competição à inovação, da sustentabilidade à governação.

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